Revista ECO•21

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Editorial

Edição 253
Dezembro 2017
 

Capa: Cara de Vime. Obra de alunos do 8º grau do Harold Hillier Gardens, Hampshire, Reino Unido Foto: Rob Young

   
  No planeta Macron
  Alfredo Sirkis
   
  O Acordo de Paris abre uma nova agenda ambiental
  José Sarney Filho
   
  A luta contra as mudanças climáticas volta a Paris
  Laurence Tubiana
   
  As conclusões econômicas do One Planet Summit
  Erik Von Farfan
   
  Política pode sabotar proposta brasileira de sediar a COP-25
  Guy Edwards
   
  De olho no futuro do planeta
  Elisa Oswaldo-Cruz
   
  Ação pelo clima depende de políticas públicas e ciência
  Elton Alisson
   
  Raquel Dodge propõe criar o Instituto do MP para o Meio Ambiente
  Tara Ayuk
   
  Dia Mundial do Solo: A sustentabilidade dos solos é essencial para a vida
  Adriana Gregolin
   
  O poder do solo para resgatar o verde do planeta
  Jacques Leslie
   
  O papel do solo para será debatido no Brasil em 2018
  Carlos Dias
   
  Embrapa e Unicamp criam centro de pesquisa em mudanças climáticas
  Nadir Rodrigues
   
  As energias limpas diminuem a conta da luz no Chile
  Orlando Milesi
   
  Brasil já tem mais de 500 parques eólicos
  Selma Bellini
   
  Um Direito só para Marte?
  José Monserrat Filho
   
  Micro-organismos: os pequenos influenciadores do clima
  Vilma Homero
   
  As árvores amazônicas são grandes emissoras de metano
  Danielle Kiffer
   
  Manejo sustentável é o único caminho para a vida no Cerrado
  Cristina Amorim
   
  Cuidado da água no contexto da globalização
  Leonardo Boff
   
  Reflorestamento é lucrativo com espécies nativas
  Maura Campanili
   
  Satyagraha pela resistência contra a Monsanto
  Vandana Shiva
   
  Ecologistas invisíveis
  Tiago Eloy Zaidan
   
  Imagens, Micróbios e Espelhos
  René Capriles
   
  Chico Mendes, a esperança floresce
  Janete Capiberibe
   
Presente de Natal: O Instituto Global do MP para o Meio Ambiente
 

Para todos os que defendem a preservação de um planeta mais verde, o anúncio da Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, de que o Ministério Público Federal concentrará esforços no sentido de criar o Instituto Global do Ministério Público para o Meio Ambiente, foi um verdadeiro presente de Natal. A proposta de Raquel Dodge é a de reunir Procuradores do MP de diversos países para realizar uma troca de experiências e trabalhar na capacitação conjunta em torno de ações em defesa do meio ambiente em geral com ênfase na questão da água. Esta iniciativa é mais do que oportuna num momento que as mudanças climáticas alteraram o ciclo hídrico mundial. No Brasil tem um particular interesse visto que nas últimas décadas a economia nacional ficou concentrada no agronegócio, o maior usuário da água. A tarefa do novo Instituto será árdua. Os graves problemas gerados pelo desmatamento, tanto da Amazônia quanto do Cerrado, são de difícil e cara solução. A ideia da transposição das águas de alguns rios é uma solução equivocada segundo inúmeros cientistas e especialistas na matéria. O uso da água pelo garimpo ilegal e a mineração geralmente destroem as nascentes. Os milhares de incêndios que destroem as florestas para benefício do agronegócio são fatos criminosos que devem ser combatidos. O Congresso Nacional, quando aprovou o novo Código Florestal autorizou a ocupação irracional das matas ciliares. Nessa linha, a afirmação de Raquel Dodge de que “a proteção da Floresta Amazônica e de todos os biomas está diretamente relacionada à proteção da água”, é um indicativo de que o MP está trabalhando na punição dos desmatadores. “Significa, também, dar um salto para o futuro: proteger efetivamente a Floresta”, disse ela. Dentro do campo do agronegócio, é necessário implementar uma ação tipo “Lava-Jato” para os agrotóxicos. É bom lembrar que no seu discurso de posse, em Setembro último, a Procuradora-Geral destacou a importância da preservação ambiental e a defesa dos diretos humanos e das minorias. Ela disse: “Nosso país continua marcado por grande desigualdade social; a violência urbana e rural atingiu níveis inaceitáveis e os jovens são os mais atingidos; a liberdade de expressão tem sido marcada pelo assassinato de muitos jornalistas; os serviços públicos são precários, sobretudo nas escolas e hospitais públicos; a devastação das florestas e desastres dolorosos como os de Mariana são sinais evidentes de que o meio ambiente precisa de proteção concreta”. A proposta de Dodge de um Instituto Global envolve o conhecimento de casos de sucesso realizados pelos procuradores em outros países. No campo jurídico, a nova instituição pode ajudar os poderes executivo e legislativo na implementação dos Protocolos e Convenções da ONU. Casos exitosos são: o Protocolo de Montreal sobre a Camada de Ozônio, a Convenção de Minamata sobre o Mercúrio, a Convenção de Luta contra a Desertificação, a Convenção contra a Corrupção, a Convenção sobre Biodiversidade com suas Metas de Aichi, a Convenção sobre o Direito do Mar, hoje em destaque pela luta contra poluição das águas oceânicas pelos plásticos, e, claro a Convenção sobre as Mudanças Climáticas, que gerou o Acordo de Paris para manter a temperatura global em menos de 2°C até 2050, entre outros. Num momento em que países como os EUA regrediram na proteção ambiental, como por exemplo, a proteção do Ártico (Trump acaba de autorizar a exploração de petróleo nessa região); a ação do MP brasileiro se torna indispensável para a preservação da vida. Não foi à toa que Raquel Dodge, no seu discurso inaugural, lembrou a poetisa Cora Coralina, pedindo que haja “mais esperança nos nossos passos do que tristeza em nossos ombros”.
Obrigado por tão importante presente de Natal, Sra. Procuradora-Geral Raquel Dodge.

A ECO 21 agradece aos seus leitores, colaboradores a anunciantes a sua indispensável amizade sustentável.

Para todos: Feliz Natal e um ano 2018 com muito verde!

Gaia Viverá!

Lúcia Chayb e René Capriles







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