Revista ECO•21

Av. N. Sra. Copacabana 2 - Gr. 301 - Rio de Janeiro - RJ
CEP 22010-122 - Tels.: (21) 2275-1490 / 2275-1499


. Edição em PDF
Editorial

Edição 241
Dezembro 2016
 

Capa: Instalação feita com alimentos orgânicos para a COP-13 sobre Biodiversidade, realizada em Cancún Arte: Silas e Adam Birtwistle. Foto: IISD

   
  Brasil propõe na COP-13 a integração das áreas protegidas
  Eliana Lucena
   
  COP-13 da biodiversidade debate novas tecnologias
  Emilio Godoy
   
  Biodiversidade sintética?
  Silvia Ribeiro
   
  COP 13: o desafio da maior extinção de espécies desde os dinossauros
  Dal Marcondes
   
  Montante do desinvestimento duplica
  Nathalia Clark
   
  Terra de florestas
  Carlos Nobre e Rachel Biderman
   
  Sina de Desmatar
  Tasso Azevedo
   
  Brasil precisa investir no mercado de carbono REDD+
  Virgílio Viana
   
  Mudanças climáticas causam extinção local da biodiversidade
  Reinaldo Dias
   
  BRICS e a gestão sustentável dos recursos marinhos
  Carolina A Freire e Flávia D. F. Sampaio
   
  Estado de São Paulo concentra as cidades mais poluídas do país
  Júlio Ottoboni
   
  Produzir, consumir, viver e imaginar o tempo
  Samyra Crespo
   
  Entrevista especial com Mauricio Guetta
  Patricia Fachin e Ricardo Machado
   
  Em defesa do interesse público no Licenciamento Ambiental
  Mario Mantovani
   
  Sarney intervém contra licenciamento flex
  Camila Faria
   
  Este é o momento mais perigoso para o nosso planeta
  Stephen Hawking
   
  Importância do investimento em energia eólica
  Rubens Sergio dos Santos Vaz Junior
   
  Degradação socioambiental e climática nas megacidades
  Alberto Teixeira da Silva
   
  Uma importante espécie biológica está em perigo: o homem
  Fidel Castro
   
  Amizade de Castro e Cousteau salvou o oceano de Cuba
  David E. Guggenheim
   
  Fórum Pacto Global: parcerias e investimentos para os ODS
  Daniela Stefano
   
  Goiás ameaça ampliação do Parque da Chapada dos Veadeiros
  Luana Lourenço
   
  A negação climática de Trump é uma das forças que apontam para a guerra
  George Monbiot
   
  Adivinhe quem vai tomar conta do arsenal nuclear dos EUA?
  José Monserrat Filho
   
  Rio de Janeiro é Patrimônio Mundial da Unesco
  Letícia Verdi
   
2016 será lembrado como um ano devastador
 

Tanto na política nacional como internacional o ano 2016 foi pródigo em surpresas. No Brasil tivemos a queda de Cunha, derrocada de Dilma, as revelações da justiça sobre os desmandos dos políticos e empresários, a ascensão do evangélico Crivella para a Prefeitura do Rio e do empresário João Dória para a de São Paulo, o desmantelamento do PT e da Rede de Marina Silva. No exterior a saída do Reino Unido da União Europeia, além da maior surpresa de todas: a eleição do negacionista Donald Trump. Paralelamente, a natureza mais uma vez mandou seu recado: os polos estão derretendo, inúmeras espécies de animais estão na Lista Vermelha da IUCN . No último quinquênio foram mortos 145 mil elefantes e só no ano passado quase 1500 rinocerontes. Os ursos brancos, as morsas e as girafas também entraram para a Lista dos animais em extinção. Outra grande tragédia é a dos polinizadores: as abelhas e outros insetos benéficos para a vida estão desaparecendo por causa dos agrotóxicos utilizados em grande escala pelo agronegócio. O desmatamento das florestas no Brasil e na Indonésia atingiu níveis nunca vistos. Diante desse panorama, os ambientalistas reagem, lutam nas Conferências da ONU sobre o clima, a desertificação, a biodiversidade e os recursos hídricos e denunciam os atropelos dos grandes interesses econômicos. O Papa Francisco entrou no coro das vozes que protestam. No mês passado, na Pontifícia Academia das Ciências, perante 60 cientistas de todo o mundo afirmou que “a comunidade científica que demonstrou a crise do nosso planeta, hoje está convocada para constituir uma liderança que indique soluções sobre a água, as energias renováveis e a segurança alimentar. É indispensável criar um sistema normativo que inclua limites invioláveis e garanta a proteção dos ecossistemas antes que se produzam danos irreversíveis não só ao meio ambiente, mas também à convivência, à justiça e à liberdade”. Felizmente, o homem, que como disse Fidel Castro na RIO-92 é uma espécie a caminho da extinção, reage. Líderes, como Obama, conseguiram preservar imensas áreas marinhas (no Pacífico) e terrestres (no Alasca e Norte dos EUA) as quais ficaram livres da sobre-exploração da pesca e das empresas dos combustíveis fósseis. Se não foi possível acabar com a caça das baleias, pelo menos houve a sensatez de preservar o Mar de Ross, na Antártida. Que tempos são esses em que se destrói o Cerrado para plantar soja irrigada com glifosato?! O Cerrado, que guarda a cura de inúmeras doenças e armazena as águas do Brasil, virará em poucos anos um deserto sem vida pior do que o Saara, o qual, paradoxalmente, mantém latentes vidas únicas nesse ecossistema tão hostil. Mas, não é só a destruição da natureza que nos espanta. A tragédia de Alepo vai além da imaginação. Kosovo foi quase um treinamento. Treblinka foi o ensaio geral. Quando explodiu a bomba atômica em Hiroshima, a apoteose da destruição, como escreveu Albert Camus, “a guerra, calamidade que se tornou definitiva somente por causa da inteligência humana, não dependerá mais dos apetites ou das doutrinas de tal ou qual Estado. Em face às terrificantes perspectivas que se abrem perante a humanidade, nós percebemos mais ainda que a paz é o único combate que vale a pena ser livrado”. É uma perspectiva aberta pela eleição de Trump, mas ela se contrapõe às palavras do Papa Francisco que nos lembra: “a submissão da política à tecnologia e às finanças que buscam a ganância, se revela pelo atraso na aplicação de acordos mundiais sobre o ambiente, além das contínuas guerras de predomínio que, mascaradas por nobres reivindicações, causam danos cada vez mais graves ao ambiente e à riqueza moral de todos os povos”. Os Jogos Olímpicos foram um sucesso, mas 2016 também foi um ano devastador entre os esportistas pelo desastre do time Chapecoense. A morte de todos esses jovens deslanchou uma corrente universal de solidariedade jamais vista. O mundo inteiro foi chapecoense e nós também somos chapecoenses.

A ECO•21 agradece aos nossos colaboradores que sempre nos prestigiaram com seus textos, fotos e todo tipo de incentivo permitindo que a revista prossiga na saga dos seus 27 anos de vida.

Felizes festas e um sustentável 2017 para todos!

Gaia Vivera!

Lúcia Chayb e René Capriles








Archipiélago



IPEMA

© Tricontinental Editora