Revista ECO•21

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Editorial

Edição 236
Julho 2016
 

Capa: Parte do Mural Etnias para as Olimpíadas Rio 2016 Arte: Eduardo Kobra

   
  ONU convoca países para ratificar Acordo de Paris
  Heloisa Cristaldo
   
  Sarney Filho quer meta de 1,5°C para combater mudanças climáticas
  Rita Silva
   
  Entrevista com Roberto Schaeffer sobre o Acordo de Paris
  Patricia Fachin
   
  Entendendo as emissões de gases ligadas ao desmatamento no Brasil
  Mauro Meirelles de Oliveira Santos
   
  Objetivos do Desenvolvimento Sustentável no Antropoceno
  Paulo Artaxo
   
  ONU divulga primeiro Relatório dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável
  Roberta Caldo
   
  Ações de governos podem reverter a degeneração do meio ambiente
  Shereen Zorba
   
  Três passos para o desenvolvimento sustentável
  Alicia Bárcena
   
  A precificação de carbono entra no mercado brasileiro
  Marina Grossi
   
  Capitalismo verde, deus fracassado
  Richard Smith
   
  A esquerda precisa incorporar a visão ecológica
  Eduardo Gudynas
   
  Como acender a luz para bilhões de pessoas?
  Achim Steiner
   
  Nas florestas, uma mudança de atitude em favor dos povos indígenas
  Myrna Cunningham Kay Kain
   
  O indígena, aquele que deve morrer
  Leonardo Boff
   
  Estudo revela que 30% dos solos do mundo estão degradados
  Carlos Dias
   
  Agrotóxicos liderança indesejável no mundo
  Washington Novaes
   
  Entrevista com Victor M. Toledo
  Diana Quiroz
   
  O Grande Plano da Tesla
  Tasso Azevedo
   
  Ciência, tecnologia e Inovação: o custo de uma decisão equivocada
  Edson Watanabe e Luiz Bevilacqua
   
  RIO-2016 quer compensar emissão de 2 milhões de t carbono
  Isabela Vieira
   
  A Mata Atlântica invisível nas cidades
  Marcia Hirota
   
  Galinhas: uma metáfora do novo marco legal do patrimônio genético
  Nurit Bensusan
   
  Um pioneiro da privatização das riquezas do espaço
  José Monserrat Filho
   
  Face aos críticos desafios do Semiárido brasileiro
  Sarney Filho
   
Olimpíadas Rio 2016 sem saneamento, mas com coleta seletiva
 

As Olimpíadas do Rio de Janeiro ficarão na história dos Jogos Olímpicos pelos grandes contrastes ecológicos. No campo dos resíduos sólidos, por exemplo, esta é a primeira vez que o Comitê Olímpico incluiu catadores de materiais recicláveis nos serviços de coleta seletiva. O lançamento da iniciativa “Reciclagem Inclusiva: Catadores nos Jogos Rio 2016” oficializado na sede da cooperativa Ecoponto, no Rio já é um dos marcos ambientais desta Olimpíada. A parceria, que é resultado de um entendimento entre a Rio 2016, os Ministérios do Meio Ambiente e do Trabalho, a Secretaria Estadual do Ambiente, além da iniciativa privada. Segundo a Diretora do Departamento de Consumo Sustentável do MMA, Raquel Breda, em depoimento à jornalista Marta Moraes, a gestão adequada dos resíduos sólidos é um dos eixos do Programa de Sustentabilidade dos Jogos Olímpicos 2016, cuja organização adotou a gestão do ciclo da geração até a destinação final em todas as fases das competições. O trabalho será executado por catadores das redes Movimento, Recicla Rio e Federação das Cooperativas de Catadores de Materiais Recicláveis e suas filiadas. Além dos catadores envolvidos na iniciativa serem remunerados durante a ação, todo o material reciclável será destinado às associações e cooperativas selecionadas. A estimativa dos organizadores é que durante os Jogos sejam geradas cerca de 3,5 mil toneladas de materiais recicláveis sendo 100% encaminhados para reciclagem. No outro extremo desta visão otimista muitos ambientalistas registraram a sua decepção. O jornalista Mario Osava, escreveu em sua coluna da IPS: “A grande frustração dos Jogos Olímpicos, será o não cumprimento de metas e promessas de saneamento ambiental dos seus corpos de água. Perdeu-se a oportunidade de dar um empurrão decisivo na descontaminação da emblemática Baía de Guanabara e das lagoas da cidade, tal como estabelecia o plano com que a cidade ganhou o direito de ser sede da Olimpíada 2016”. Despoluir 80% dos efluentes lançados na Baía de Guanabara era a meta prevista pelo projeto olímpico. “Chegamos a 55 por cento”, declarou o Ministro do Esporte, Leonardo Picciani, num encontro com jornalistas estrangeiros. Já o biólogo e ativista ambiental, Mario Moscatelli, dando voz ao ceticismo dos ambientalistas, advertiu: “só creio no que vejo: dos 55 rios da bacia, 49 se converteram em cursos de efluentes sem vida”. “A meta de 80% não era realista. Limpar totalmente a Baía exigiria de 25 a 30 anos, com investimentos equivalentes a US$ 6 bilhões em saneamento”, admitiu o Secretário do Ambiente do Estado do Rio de Janeiro, André Correa, ao inaugurar, mais uma ecobarreira num dos rios que desembocam na Baía de Guanabara. Em depoimento à Envolverde, o ecologista fundador do Movimento Baía Viva, Sergio Ricardo de Lima, destacou:“A Baía recebe 90 toneladas de lixo e 18 mil litros de esgoto sem tratamento por dia, principalmente através dos rios e canais que desembocam em suas águas. A descontaminação da Baía de Guanabara é um velho sonho; foi a meta de um projeto iniciado em 1995 e que já custou 3 bilhões de dólares, mas não foi evitada a deterioração ambiental da água e das praias locais. Foram construídas ou ampliadas oito estações de Tratamento de Efluentes para melhorar a qualidade de sua água, mas sempre operaram com pequena parte de sua capacidade, porque não foram construídos os troncos coletores necessários para recolher o esgoto e levá-lo às ETEs”. Talvez a melhor imagem desta iniciativa de reciclagem seja a revitalização do porto do Rio e o simbólico mural do maior nome do grafite mundial, Eduardo Kobra, no qual homenageia a etnias do mundo renovando e redignificando uma região que era considerada “um lixo”. Segundo Kobra, a iniciativa dá visibilidade a criadores que, como ele, vêm da periferia.


Gaia Viverá!


Lúcia Chayb e René Capriles








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