Revista ECO•21

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Editorial

Edição 151
Junho
 

Capa: Homenagem ao Dia Mundial do Meio Ambiente Foto: Gentilmente cedida pela Petrobras

   
  Antes da inundação
  Carlos Minc
   
  O mundo também precisa de um Novo Pacto Verde
  Ban Ki-Moon
   
  O México está no grupo de países líderes em ecologia
  Achim Steiner
   
  O mundo celebra no México o Dia Mundial do Meio Ambiente
  Juan Rafael Elvira Quesada
   
  Carta Aberta ao Presidente da República
  Marina Silva
   
  Paraná recupera 4 mil nascentes de água
  Martha Feldels
   
  A água que comemos: os custos da irrigação
  Gülçin Karadeniz
   
  Entrevista a Peter Gleick
  Tara Lohan
   
  A FAO aprova plantações de florestas industriais
  Chris Lang
   
  Brasil muda a Carta de Siracusa
  Daniela Mendes
   
  Entrevista com Yann Arthus-Bertrand sobre o filme Home
  Mathilde Lorit
   
  Uma educação para construir o Desenvolvimento Sustentável
  Nicholas Burnett
   
  A Educação Ambiental no âmbito do SNUC – ENCEA
  Iara Carneiro e Maura Machado Silva
   
  O Brasil acelera em marcha à ré
  José Eli da Veiga
   
  Dez mil plantas do Amazonas têm potencial econômico
  Chico Araújo
   
  O Estado do Rio faz pacto pelo saneamento básico
  Marilene Ramos
   
  Lixo de Gramacho e esgoto da Barra agora sustentáveis
  Lúcia Chayb
   
  O Brasil encantado e os 9 anos da Carta da Terra
  Alexandre Wahbe
   
  O novo patamar da mundialização: a Noosfera
  Leonardo Boff
   
Maio de 68 ressurge mais verde com Daniel Cohn-Bendit e Carlos Minc
 

A menos de 6 meses para a reunião do clima de Copenhague, a questão ambiental já domina as decisões políticas, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos. Nas recentes eleições para o Parlamento Europeu, o grande vencedor foi o emblemático nome do germano-francês Daniel Cohn-Bendit, o “Danny Le Rouge” das barricadas parisienses de 68 lançando o grito de guerra:“É proibido proibir”. Ressurgiu agora ameaçando a hegemonia dos maiores nomes da política francesa. Tão forte foi o impacto dos milhares de votos que ele teve em nome dos Verdes que Nicolas Zarkozy foi obrigado a iniciar, no dia seguinte da eleição, uma ofensiva ambiental na França tratando de cooptar o espaço já controlado por Cohn-Bendit. Houve políticos de direita que trataram de impugnar o pleito (realizado na França o dia 7 de Junho) por causa da exibição do filme de Yann Arthus-Bertrand, “Home”, lançado no mundo inteiro no Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de Junho, e visto na França por mais de 9,5 milhões de espectadores, segundo France Télevisions, aduzindo ter influenciado o eleitorado. A onda ambiental avançou mais vigorosamente ainda, como um tsunami, nos EUA onde Barack Obama, num pronunciamento histórico para o movimento ecologista mundial, declarou que os EUA já estavam sofrendo as consequências das mudanças climáticas. Que a questão ambiental não era para o “próximo ano, nem mais além” e sim para já, que chegamos ao ponto decisivo do qual não haverá reversão. Enquanto isso, o Brasil avança em“marcha à ré”, como bem diz o professor José Eli da Veiga. O nosso Senado aprovou uma Medida Provisória que contraria até as Leis florestais de Dom João VI, tamanha a regressão política do legislativo. Felizmente, “A Farra do Boi”, o impactante relatório do Greenpeace provocou uma reação entre as empresas que financiam o gado procedente do desmatamento amazônico motivando o cancelamento de vultosos contratos. O Ministro Carlos Minc, entrincheirado na Lei de Crimes Ambientais resiste à ofensiva ruralista com a mesma força que teve quando era um dos ativistas de 68. Daniel Cohn-Bendit e Carlos Minc são herdeiros da mesma tradição: a política ambiental que busca a sustentabilidade com crescimento equilibrado, respeitando as leis da natureza e as leis humanas que defendem essa mesma natureza. O grito de agora, neste mês de Junho de 2009, no Dia Mundial do Meio Ambiente, deveria ser: “É proibido desmatar”.

Gaia Viverá!

Lúcia Chayb e René Capriles







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