Revista ECO•21

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Editorial

Edição 257
Abril 2018
 

Capa: Fauna no artesanato popular brasileiro Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom

   
  Equivalência ecológica não é jabuticaba
  Mario Mantovani e Jean Paul Metzger
   
  ABC e SBPC enviam à Ministra Cármen Lúcia Carta sobre a identidade ecológica
  Luiz Davidovich e Ildeu de Castro Moreira
   
  Moratória do desmatamento
  Tasso Azevedo
   
  Entrevista com o biólogo Carlos Joly sobre o IPBES
  Paula Drummond de Castro
   
  Teste de ambição para o Acordo de Paris
  Bruno Toledo
   
  Expectativas da Conferência APA 1-5 sobre Clima em Bonn
  Leila Mead
   
  Corrupção e extrativismo
  Eduardo Gudynas
   
  Suprema Corte da Colômbia ordena proteção da Amazônia
  Claudia Fonseca
   
  Peru faz primeira Lei do Clima da América Latina
  René Capriles
   
  2018: Ano Internacional dos Recifes de Coral (IYOR)
  Rudá Capriles
   
  O Papa Francisco e o futuro da Amazônia
  Virgílio Viana
   
  Mundo concorda em cortar emissões dos navios em 50%
  Jack Cushman
   
  Norma de turismo sustentável vai para aprovação da ISSO
  Monalisa Zia
   
  Prioridade para conservação com olho no passado
  Peter Moon
   
  Holanda tem o primeiro supermercado sem plástico do mundo
  Matthew Taylor
   
  Gorduras saturadas e trans matam mais de 17 milhões de pessoas por ano
  Alexandre Soares
   
  Transgênicos: expectativa do fim da rotulagem retoma debate
  Raquel Torres
   
  Por que colonizar a Lua?
  José Monserrat Filho
   
  Dia da Caatinga é celebrado em 28 de Abril
  Elmano Augusto
   
América Latina se move e registra ousadas iniciativas ambientais
 

No dia 29 de Janeiro deste ano, um grupo de 25 crianças e jovens colombianos, entre 7 e 26 anos, impetrou no Superior Tribunal de Justiça em Bogotá uma ação judicial sobre “a mudança climática e as gerações futuras” exigindo a defesa de seus direitos a gozar de um ambiente saudável hoje ameaçado pelo desmatamento da Amazônia colombiana e seus efeitos no aquecimento do país. Essa petição gerou uma surpreendente decisão desse tribunal superior que ordenou a Presidência da República e todas as instâncias governamentais a elaborar um plano de ação imediato visando o desmatamento zero já em 2020. Pouco tempo depois, em 4 de Março, foi assinado na Costa Rica o “Acordo de Escazú” cujo objetivo é “garantir a implementação plena e efetiva na América Latina e o Caribe dos direitos de acesso à informação ambiental, participação pública nos processos de tomada de decisões ambientais, acesso à justiça e assuntos ambientais, contribuindo para a proteção dos direitos de cada pessoa, a viver num ambiente saudável e ao desenvolvimento sustentável”. Esse Acordo ajudará a esclarecer e a punir os culpados dos crimes cometidos contra os defensores dos direitos ambientais. Já no dia 17 deste mês (Abril) o Presidente do Peru, Martín Vizcarra, promulgou a Lei Marco da Mudança Climática. Com essa iniciativa, o Peru se transforma no primeiro país da América Latinas em ter uma Lei específica de combate às mudanças climáticas. A Lei fortaleceu o papel do Ministério do Meio Ambiente peruano e lançou as bases para que todos os investimentos oficiais ou não passem pelo crivo de um Relatório de Impacto Ambiental com foco no clima. Um dos pontos mais importantes da Lei é que especifica nos seus artigos que para atingir proteção e conservação das florestas, assim como para iniciar a recuperação das áreas desmatadas, a Norma requer a colaboração ativa das comunidades locais e dos povos indígenas. “O Estado salvaguarda o direito de participação dos povos indígenas ou originários, respeitando sua identidade social, coletiva e cultural, seus costumes, tradições e instituições, na formulação, implementação, seguimento e avaliação das políticas públicas e projetos de investimentos com relação à mudança climática que venha afetar essas ações, no que corresponde à Convenção 169 sobre povos indígenas e tribais da Organização Internacional do Trabalho (OIT)”. O México, por sua vez, que já dispõe de instrumentos jurídicos sobre as suas Contribuições Nacionalmente Determinas para o Acordo de Paris, quer produzir 43% de sua eletricidade a partir de fontes renováveis até 2024, em apenas 6 anos. Tem 58 novas usinas planejadas, a maioria delas solares e o restante eólicas. Para esse fim, em Dezembro de 2017, inaugurou a usina solar Villanueva localizada no deserto do Estado Coahuila. Com 2,3 milhões de painéis solares ocupará 2.400 hectares, o equivalente a 2.200 campos de futebol, no segundo semestre deste ano gerará mais de 1.700 GWh por ano, o suficiente para fornecer energia elétrica a 1,3 milhão de lares. Quando estiver totalmente em operação, Villanueva será a maior instalação fotovoltaica produtora de energia nas Américas. Esta central é parte do esforço do México para gerar 43% de sua eletricidade a partir de fontes limpas até 2024. O Chile, por sua vez, investiu nos últimos anos US$ 17 bilhões em energias renováveis, principalmente na central Amanhecer Solar no Deserto de Atacama. A usina conta com mais de 300 mil módulos de silício monocristalino, um material não tóxico e que é reciclável no final de sua vida útil. Essa política fez diminuir a conta de luz em 75%. Em outra frente, os países da América Central estão trabalhando para fortalecer sua infraestrutura elétrica gerada a partir de fontes renováveis. O Corredor de Energia Limpa, um projeto acordado em 2015 pelos governos do Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, São Salvador e Guatemala, usará uma rede elétrica baseada em energias renováveis de 1.800 km que atravessará quase todo o istmo centro-americano. Outra boa notícia é que o Congresso Nacional da Costa Rica aprovou uma Lei que bane os carros movidos à energia fóssil até 2035. Enquanto isso, o governo está financiado com juros muitos baixos a compra de carros elétricos. Como celebramos os 50 anos de Maio de 68, e homenageando esses bravos franceses, parafraseamos um dos seus inesquecíveis gritos de guerra: "l’Amérique Latine bouge!" América Latina se move!

Gaia Viverá!

Lúcia Chayb e René Capriles







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