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No próximo mês de abril, a cidade de Cochabamba, na Bolívia, receberá políticos e ambientalistas de todo o mundo, principalmente da América Latina, para debater a política ambiental pós-Copenhague, durante a “Conferência Mundial dos Povos sobre as Mudanças Climáticas e os Direitos da Mãe Terra”. Será a primeira oportunidade para avaliar o impacto da renúncia de Yvo de Boer à Secretaria-Executiva da Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas, um dos mais importantes postos da diplomacia da ONU, cargo que ocupava desde 2006. A renúncia de Yvo de Boer foi o capítulo final do desastre de Copenhague onde ficou claro que o lobby das indústrias nucleares e petroleiras, lideradas pela ExxonMobil, estava decidido a dar um fim ao processo iniciado em 1997 em Kyoto. Esse lobby investiu centenas de milhões de dólares numa campanha focada principalmente na desmoralização do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e atacou diretamente seu diretor, o cientista Rajendra Pachauri, chamando-o de incompetente e mentiroso. A Conferência do Clima na Bolívia também será um espaço aberto para a busca de novas formas de luta pela justiça climática e pelo reconhecimento de que são necessárias medidas urgentes para evitar maiores danos ao Planeta. Sobre o encontro, o Presidente Evo Morales disse: “é uma forma de afirmar que com solidariedade, justiça e respeito à vida, a humanidade será capaz de salvar a Mãe Terra”. Morales está propondo um fórum alternativo com setores sociais, científicos, intelectuais e Chefes de Estado,“ face ao grave perigo para o mundo e para os ecossistemas em geral, pela poluição do ambiente e pela emissão de gases de Efeito Estufa que colocam em risco populações inteiras, se faz necessário um debate mundial sobre este tema”. Já no campo da economia, segundo o professor da USP, José Eli da Veiga, “o que mais passará a influenciar o rumo da transição ao baixo carbono serão as vias que forem abertas aos países de renda média para que deixem de depender tanto das perversas transferências de tecnologia”. E esse será um dos temas fulcrais de Cochabamba. Outro assunto que será abordado na Cúpula é o da biodiversidade. O ano de 2010 foi instituído pela ONU como “Ano Internacional da Biodiversidade”. Com a participação do Brasil, Colômbia, Equador, México e Costa Rica, países megadiversos, os esforços globais para chamar atenção da sociedade sobre a importância da diversidade biológica, tiveram no mês passado, um simbólico lançamento em Curitiba. Organizada pela Convenção sobre Biodiversidade (CDB), a reunião de Curitiba foi preparatória da COP-10, a Conferência das Partes da Convenção sobre Biodiversidade, que será realizada em Nagoya, Japão, em Outubro deste ano. Sobre este tema, Izabella Teixeira, Secretária-Executiva do Ministério do Meio Ambiente, antecipou que durante todo o ano de 2010 o MMA promoverá ações para estimular a implementação dos três objetivos da Convenção, que são: a conservação da biodiversidade, o uso sustentável de seus componentes e a distribuição equitativa e justa dos benefícios advindos da utilização dos recursos genéticos. Atualmente, as principais causas de extinção são a degradação e a fragmentação de ambientes naturais, causados pela expansão urbana, agricultura, pecuária, poluição e incêndios. Esses fatores reduzem os hábitats das espécies e provocam o isolamento de suas populações, com diminuição do fluxo gênico e aumento do risco de extinção. Fora do tema da biodiversidade, Evo Morales afirmou que em Cochabamba se trabalhará na organização do referendum mundial dos povos sobre a mudança climática, se analisará e apresentará um plano de ação para a constituição de um Tribunal de Justiça Climática, no qual serão definidas as estratégias de mobilização em defesa da vida frente às mudanças climáticas e aos direitos da Mãe Terra. Cochabamba poderá ser a redenção de Copenhague.
Gaia viverá!
René Capriles e Lúcia Chayb
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