Revista ECO•21

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Editorial

Edição 248
Julho 2017
 

Capa: Surfando num mar de lixo Foto: Zak Noyle - Deep Ecology

   
  Ambientes marinhos sofrem com poluição por microplásticos
  Elton Alisson
   
  De volta ao inferno
  Lúcio Flávio Pinto
   
  Entrevista com Márcio Astrini
  Patricia Fachin
   
  Precisamos de desenvolvimento?
  Guilherme Carvalho
   
  Povos indígenas no Brasil não têm título sobre seus territórios
  Tasso Azevedo
   
  Uma análise da Agenda 2030
  Paulo Buss
   
  Iniciativas e subsídios para implementar ODS em todos os setores
  Mariana Bombonato Moraes
   
  O fosso do saneamento no Brasil
  Léo Heller
   
  Água e falta de participação social
  Marina Grossi
   
  Entrevista com o Ministro José Sarney Filho
  Juliana Arantes
   
  O desmatamento do Chaco paraguaio e as churrasqueiras
  Toby Hill
   
  Uma visão da Amazônia pelas lentes do Google
  Elisa Homem de Mello
   
  Seriam mesmo exageradas as exigências ambientais?
  Álvaro Rodrigues dos Santos
   
  O país do lixo sem destino
  Carlos Minc
   
  Olhos de criança na Baía da Guanabara
  Marcia Hirota
   
  Desmatamento do Cerrado supera o da Amazônia, indica dado oficial
  Claudio Angelo
   
  Unidas pela segurança dos alimentos
  José Graziano da Silva e Roberto Azevêdo
   
  Entrevista Ana Paula Carvalho de Medeiros
  Marco Weissheimer
   
  A responsabilidade social corporativa no Século 21
  Antonietta Varlese
   
  Corredores da vida
  Sérgio Besserman Vianna
   
O Brasil na contramão com o desmatamento e a energia nuclear
 

Diversos acontecimentos neste mês de Julho chamaram a atenção particularmente no Brasil. No campo político, a possível abertura de um processo de impeachment ao Presidente Temer na Câmara dos Deputados foi o fato mais significativo. Nas suas articulações, o Presidente Temer decidiu agradar a bancada ruralista enviando ao Congresso Nacional um Projeto de Lei que diminui em 350 mil hectares a Floresta Nacional do Jamanxin, uma das principais Unidades de Conservação do país. Este PL, segundo diversos analistas e organizações ambientalistas, como o IPAM Amazônia, “anistia a grilagem e pode gerar um desmatamento adicional de mais de 138 mil hectares, até 2030, provocando a emissão de 67 milhões de toneladas de CO2. Se passar, o PL representará uma confirmação de que o desmatamento fugiu do controle e que, paradoxalmente, tem o aval do Governo”. O desmatamento do Bioma Chaco, no Paraguai, para fazer carvão, e na, Bolívia, para plantar soja, se soma à destruição do Cerrado que muito em breve será transformado num deserto sem recursos hídricos. Essa situação leva a uma análise mais aprofundada sobre o desaparecimento das florestas tropicais no mundo. O Professor Luiz Marques da UNICAMP, num artigo recente adverte que estaríamos vivenciando o último século das florestas tropicais. Reproduzindo dados de 2001 do Earth Observatory da NASA ele informa: “se a taxa atual de desmatamento continuar, as florestas tropicais desaparecerão dentro de 100 anos, provocando efeitos desconhecidos sobre o clima global e eliminando a maioria das espécies vegetais e animais no Planeta”. Essa observação se encontra fundamentada em observações de imagens de satélite e nelas a região amazônica figura em primeiro lugar. No dia 10 deste fatídico Julho, a publicação científica PNAS da Academia Nacional de Ciências dos EUA, alertou que a atividade humana está precipitando a “aniquilação biológica” e promovendo um evento de extinção em massa, que seria o sexto fenômeno deste tipo na evolução da vida na Terra. Dois dias depois, aconteceu o colapso da plataforma de gelo Larsen C na Antártida, provocando a formação de um gigantesco iceberg, estimado em um trilhão de toneladas de gelo. O iceberg tem quase a mesma área de algumas ilhas muito conhecidas; é maior que Bali, Trinidad e um pouco menor que Córsega, Chipre ou Porto Rico. Mas a dramática realidade planetária não se limita a isso, neste mês a National Oceanic & Atmospheric Administration (NOAA) dos EUA revelou o aparecimento de uma gigantesca "zona morta" no Golfo do México de 15 mil km2, quase 15 vezes o tamanho da cidade do Rio de Janeiro, onde a água não tem oxigênio suficiente para que os peixes sobrevivam. Isso se deve aos agrotóxicos e produtos químicos utilizados pelos agricultores a quilômetros de distância. É o que o jornalista e ambientalista Dal Marcondes chama de “terra envenenada” citando um informe da FAO: “os solos estão contaminados por conta das atividades dos homens, que descartam uma grande quantidade de produtos químicos nas áreas utilizadas para produzir alimentos”. Por sorte surge uma esperança, Nicolas Hulot, Ministro da Transição Ecológica e Solidária da França de Macron, decidiu banir alguns agrotóxicos, fechar l7 centrais nucleares até 2025, proibir até 2040 o uso de carros com combustível fóssil, e levar a França a zerar as emissões de CO2 até 2050. Na Coreia do Sul, O novo Presidente Moon Jae-In, prometeu que o país acabará com a dependência de energia nuclear e investirá em fontes de energia renováveis. Ele espera que o país entre em uma “era livre da energia nuclear” assim como o governo espanhol que decidiu fechar a sua central nuclear de Santa Maria Garoña, a mais antiga do país. Enquanto isso o Brasil vai à contramão pensando em terminar de construir a central nuclear de Angra 3. Acompanhando as boas notícias, a empresa Tesla concluiu uma enorme usina solar de 55.000 painéis na ilha havaiana de Kauai, que permitirá o armazenamento de energia em escala industrial. Como resultado, 44% da energia da ilha virão de fontes renováveis. Será a primeira iniciativa solar a fornecer energia de forma confiável 24 horas por dia, 7 dias por semana. O Havaí estabeleceu metas de eliminar todas as fontes de energia não renováveis até 2045. Aloha spirit!

Gaia Viverá!

Lúcia Chayb e René Capriles








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