Revista ECO•21

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Editorial

Edição 233
Abril 2016
 

Capa: Corais de cerâmica da série Our Changing Seas Arte e foto: Courtney Mattison

   
  Sobre os dias das Florestas e da Vida Selvagem
  Ban Ki-moon
   
  Como cumprir os compromissos de Paris?
  José Goldemberg
   
  A questão ambiental. Ruim com Dilma, pior com Temer
  André Trigueiro
   
  A guerra dos números na restauração florestal
  Mario Mantovani e Rafael Bitante Fernandes
   
  Fundo Clima recebe avaliação positiva
  Lucas Tolentino
   
  Ativos financeiros podem perder trilhões pelo aquecimento global
  Bob Ward
   
  Para além da métrica do carbono
  Camila Moreno
   
  Quase 80% dos empregos no mundo dependem da água
  Andreia Verdélio
   
  Água: A indústria como parte da solução
  Jorge Soto
   
  Cultivando Água Boa se consolida no Brasil e no mundo
  Lúcia Chayb
   
  Pantanal pode ter temperaturas elevadas em 7°C até 2100
  Peter Moon (Pedro Ernesto de Luna Filho)
   
  O alicate político e ecológico das mudanças climáticas oprime os povos indígenas
  Eduardo Gudynas
   
  Impasse trava Código de Mineração na Câmara
  Patrícia Cagni
   
  Entrevista com Carlos Alfredo Joly
  Daniela Klebis
   
  PAN Corais será executado até 2021
  Júlia Avolio Nigri
   
  As esponjas são animais antigos e muito valiosos
  Heitor Shimizu
   
  Brasil age de forma singular nos desastres ambientais
  Carolina Medeiros
   
  Por uma Permacultura morena e ecossocialista
  Djalma Nery
   
  Surge a primeira empresa de pesca de plástico
  Lorraine Chow
   
  Países em desenvolvimento investem mais em energia renovável do que nações ricas
  Paula Tanscheit
   
  O papel das megaempresas nas atividades espaciais
  José Monserrat Filho
   
  Meio ambiente gestão estratégica sustentável e o papel do advogado ambientalista
  Tiago Castilho e José Carlos Lima da Costa
   
  Ameaças à Mãe Terra e como enfrentá-las
  Leonardo Boff
   
  A globalização afeta a saúde do Planeta
  Marcus Eduardo de Oliveira
   
  Zika a primeira epidemia climática
  Ricardo Coelho
   
A COP-21 abriu a Era da Adaptação às Mudanças Climáticas
 

O Acordo de Paris sobre Mudanças Climáticas, assinado durante a COP-21, foi oficialmente aberto para assinaturas no dia 22 deste mês (Abril) na sede da ONU em Nova Iorque. Recebeu a assinatura de 175 países. Estiveram presentes 55 Chefes de Estado e de Governo e 125 autoridades do mais alto nível dos países industrializados, como o Presidente da França François Hollande, o Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, o vice-Primeiro-Ministro da China, Zhang Gaoli; e, entre os em desenvolvimento, a Presidenta Dilma Rousseff, o Presidente do Peru, Ollanta Humala e o boliviano Evo Morales. Também esteve presente o Ministro das Relações Exteriores do Marrocos, Salaheddine Mezouar, país que sediará a COP-22 em Novembro. Para entrar em vigor em 2020, o documento deverá ser ratificado oficialmente nos parlamentos ou órgãos competentes de cada país até o dia 17 Abril de 2017 e também deve ser ratificado por 55 países representando, pelo menos, 55% das emissões mundiais dos Gases de Efeito Estufa (GEE). A partir de agora já há um consenso entre políticos, empresários, cientistas e grande parte da sociedade civil em reconhecer que a assinatura do Acordo de Paris marca um ponto de viragem crítico em direção a um mundo resiliente e de carbono zero. Também marca uma nova era ao ter decretado o início do fim dos combustíveis fósseis. O texto elaborado na COP-21 iniciou um distanciamento entre a abordagem “de cima para baixo” do Protocolo de Kyoto em favor de uma abordagem “de baixo para cima” em termos de promessas de redução de emissões e políticas nacionais. Segundo alguns especialistas pela primeira vez, a questão da adaptação à mudança climática tornou-se uma prioridade para os Estados, especialmente para os países em desenvolvimento. As palavras da Presidenta Dilma corroboram essa afirmação: “O caminho que teremos de percorrer agora será ainda mais desafiador: transformar nossas ambiciosas aspirações em resultados concretos. Realizar os compromissos que assumimos exigirá a ação convergente de todos os nossos países e sociedades rumo a uma vida e a uma economia menos dependentes de combustíveis fósseis, dedicadas e comprometidas com práticas sustentáveis na sua relação com o meio ambiente”. O objetivo da Convenção sobre Mudanças Climáticas na RIO-92 era o de “estabilizar a concentração de GEE na atmosfera num nível que permitisse aos ecossistemas se adaptarem naturalmente". A ambição original da Convenção agora está duplamente obsoleta: é demasiado tarde para impedir uma perigosa interferência antropogênica no sistema climático e os ecossistemas não podem responder a um ajuste natural. O Relatório de 2013 do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) tinha uma clara mensagem, pouco comentada em Paris: “A maioria das características da mudança climática persistirá por muito tempo, mesmo se as emissões de CO2 forem contidas”. O climatologista James Hansen e um significativo grupo de cientistas argumentam que a meta aprovada para limitar o aquecimento global em 2°C é altamente perigosa, os oceanos continuarão a subir. Nova Iorque, Londres, Rio de Janeiro, Cairo, Jacarta, Xangai poderiam ser parcialmente submersos, forçando cerca de 20% da população mundial a migrar. Após a COP-21, a ambição é aumentar, antes de 2020, a “descarbonização profunda”, isto é, chegar a um nível de emissões quase nulas até a segunda metade do Século 21 quando a neutralidade de carbono, os ecossistemas e a tecnologia absorverão todas as emissões de GEE de origem antropogênica. O IPCC informou que preparará um informe especial sobre o impacto que teria um aquecimento global de 1,5°C, objetivo da COP-21. O Painel nunca analisou essa meta nos seus informes, mas acolheu o pedido. O IPCC examinará as evidencias e gerará a literatura científica relacionada com essa meta; a previsão é que publicará sua análise em 2018, junto com cenários de redução de emissões potenciais. Sem dúvida, o Acordo de Paris da COP-21 deixou para atrás o conceito dominante de mitigação e abriu uma nova era: a da adaptação às mudanças climáticas e seus danos irreversíveis.

Gaia Viverá!

Lúcia Chayb e René Capriles








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