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Ao mesmo tempo em que os fogos de artifício celebravam no mundo inteiro a entrada do ano 2010, também começava a contagem regressiva para adotar severas medidas de prevenção que evitem o desastre da extinção de milhares de espécies e o aquecimento global. A UNESCO deu início ao Ano Mundial da Biodiversidade e a ONU busca a superação do trauma de Copenhague correndo contra o relógio para chegar à COP-16, a 16ª Conferência das Partes da Convenção sobre Mudanças Climáticas prevista para Dezembro no México. Ahmed Djoghlaf, Secretário-Executivo da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), lembrou que todo o mundo deve assumir uma mudança de atitude para preservar a vida na Terra. A conservação da biodiversidade, o uso sustentável de seus componentes e a distribuição equitativa e justa dos benefícios advindos da utilização dos recursos genéticos são as três metas estabelecidas pela CDB para os países signatários. No caso brasileiro, o cumprimento de tais metas está diretamente relacionado ao combate do desmatamento. O movimento ambientalista mundial está de prontidão, diversas instituições propõem que sejam investidos esforços e recursos, governamentais e não-governamentais, para reduzir o desmatamento a zero em todo o país até 2015. “A conservação da diversidade biológica é um dos temas de maior destaque do ano, e os olhos do mundo certamente se voltarão para o Brasil. Temos a sorte de abrigar em nosso território uma imensa riqueza biológica, mas temos também a responsabilidade de cuidar de sua preservação e sobrevivência”, segundo o WWF-Brasil. De acordo com o MMA, atualmente há cerca de 400 espécies da fauna brasileira ameaçadas. As principais causas de extinção são a degradação e a fragmentação de ambientes naturais, causadas pela expansão urbana, agricultura, pecuária, poluição e incêndios. A comunidade científica prevê que os impactos do aquecimento global neste ano serão mais drásticos, afetando tanto humanos quanto animais e vegetais. A esperança levantada na COP-15 revelou que os grandes interesses econômicos, principalmente dos combustíveis fósseis, enterraram definitivamente o Protocolo de Kyoto; esse fato levou à União Européia e ao grupo BASIC (Brasil, África do Sul, Índia e China) a procurar saídas emergenciais que evitem o débâcle. Barack Obama, por sua vez voltou à carga no Congresso dos EUA para tratar de aprovar a nova Lei sobre a energia que, se aprovada, mudará totalmente o roteiro do desenvolvimento sustentável. Apesar de ter cedido em pontos-chave, como energia nuclear e biocombustíveis, a proposta de Obama é ainda a melhor opção em nível dos EUA e pela repercussão que terá no mundo inteiro. O ano 2010 se abre com a esperança da implementação de ações concretas para a preservação das espécies e se encerrará no México com uma única opção: assumir a conta da luta contra o aquecimento global. Por isso, 2010 será o ano da última prestação de contas. Depois não haverá mais como pendurar o custo do consumo porque não haverá o que consumir.
Gaia viverá!
René Capriles e Lúcia Chayb
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