Revista ECO•21

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Editorial

Edição 252
Novembro 2017
 

Capa: O diplomata da COP-23 Arte: Hermann Josef Hack

   
  Governo brasileiro avalia resultados da COP-23
  Lucas Tolentino
   
  Na COP de Sísifo
  Alfredo Sirkis
   
  Entrevista com Iara Pietricovsky sobre a COP-23
  Patrícia Fachin
   
  A COP-23 teve a missão de estabelecer as regras de implementação do Acordo de Paris
  Marina Grossi
   
  COP-23 - Os extremos da política
  Marina Silva
   
  A paradiplomacia ambiental na COP-23
  Reinaldo Dias
   
  Itaipu Binacional apresenta suas boas práticas na COP-23
  Alice Marcondes
   
  Compromisso de ação climática em concreto na COP-23
  Nick Nuttall
   
  Lacunas da PNMC podem comprometer metas brasileiras no Acordo de Paris
  Silvia Dias
   
  15.000 cientistas advertem: o Planeta está em crise
  Jacopo Pasotti
   
  Todo dia é Black Friday para destruir nosso planeta
  George Monbiot
   
  Ecologia não é ideologia
  Giem Guimarães
   
  Gênero, gestão de desastres e mudança
  Janire Zulaika
   
  Projeto de Carlos Minc na ALERJ cria Refúgio da Serra da Estrela
  Lúcia Chayb
   
  Programa ARPA supera meta de 60 milhões de hectares
  Giovanna Leopoldi
   
  Apesar dos pesares, energia limpa é um caminho sem volta
  Reinaldo Canto
   
  Sonia Guajajara: reconectando as pessoas com o Planeta
  Alan Azevedo
   
  Eletrizante
  Tasso Azevedo
   
  Monsanto dá adeus ao Glifosato e introduz o Dicamba
  Tara Ayuk
   
  Fechar usinas nucleares é demorado e oneroso
  Marta M. Gospodarczyk e Jacob Kincer
   
  Pesquisa busca preservar a biodiversidade em centros urbanos
  Patrícia Sanches
   
"Minha aldeia, uma vez bonita, agora é uma terra deserta estéril e vazia"
 


2018 será um ano crítico para uma ação climática mais rápida. O Secretário-Geral da ONU, Antonio Guterres, o Presidente francês, Emmanuel Macron e a Chanceler alemã, Angela Merkel, lideraram as negociações diplomáticas em Bonn, mas Timoci Naulusala, um menino de 12 anos nativo das ilhas Fiji com um grande sorriso foi quem transmitiu a principal mensagem na abertura da COP-23: "Minha casa, minha escola, minha fonte de comida, a água, o dinheiro, tudo foi totalmente destruído; minha vida estava no caos" disse Timoci cuja vila, na província de Tailevu, foi atingida no ano passado por um ciclone devastador. Ele narrou a sua experiência perante centenas de delegados, incluindo 25 Chefes de Estado e de Governo presentes em Bonn. “Minha aldeia, uma vez bonita, agora é uma terra deserta estéril e vazia. As mudanças climáticas estão aqui para ficar, a menos que vocês façam algo sobre isso. O mar engole aldeias, devora a costa e seca os cultivos. A realocação das pessoas, os prantos pelos seres queridos perdidos, as mortes pela fome e sede; os senhores talvez pensem que só afetarão os pequenos países, mas se equivocam”, assinalou Timoci Naulusala no seu apaixonado discurso. No Fórum da ONU sobre Mudanças Climáticas, realizado em Bonn em Maio de 2012, os países aprovaram importantes medidas para implementar rapidamente o futuro Acordo de Paris e as nações que não fizeram parte divulgaram anúncios importantes em apoio tanto ao Acordo aprovado em Paris, em 2015, pelos 195 países-Parte da Convenção sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) durante a COP-21 quanto aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Mas a dramática realidade dos recentes eventos climáticos extremos e as comprovações científicas de que a mudança climática está acelerando além da comprovação de que as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) estão novamente em ascensão, significa que a ação climática global deveria ser implementada de forma acelerada. Ao resumir os resultados da COP-23, a Secretária Executiva da UNFCCC, Patrícia Espinosa, disse: "Nós não mantivemos o impulso de Paris, mas vimos um maior apoio à ação em diferentes áreas não apenas dos governos. Continuamos a ver o sofrimento, a perda de vidas e dos meios de subsistência das pessoas devido a condições climáticas extremas que enfatizam a urgência de agir nos levando a perceber que o que estamos fazendo até agora não é suficiente". Mais de 20.000 pessoas de todo o mundo estiveram em Bonn participando da COP-23. A Conferência tinha como objetivo elaborar uma folha de rota e fixar um prazo até a COP-24 com o objetivo de implementar o histórico Acordo de Paris, mas muitos diplomatas, cientistas, empresários e ambientalistas afirmam que neste ano não se fez o que era necessário e urgente. O processo foi denominado “Diálogo de Talanoa”, inspirado no conceito tradicional de diálogo construtivo originário das ilhas da Oceania. Esse diálogo propõe as bases para que, no próximo ano, durante a COP-24 a ser realizada na Polônia, se considere o aumento dos Planos Nacionais de Ação Climática necessários para que o mundo atinja os objetivos de longo prazo do Acordo de Paris, prestes a cumprir dois anos. O objetivo principal do Acordo de Paris é limitar o aumento da temperatura média mundial o mais perto de 1,5°C; trata-se, nem mais nem menos, do ponto crítico para a sobrevivência dos pequenos estados insulares e dos países mais vulneráveis. No dia 11 de Dezembro próximo será celebrado o 20º aniversário do Protocolo de Quioto. Para comemorar o aniversário e incentivar a ratificação do Compromisso de Doha por mais Partes, a ONU Climate Change está lançando uma campanha nas mídias sociais solicitando que as pessoas enviem mensagens de apoio. O objetivo é reduzir as emissões em 20% até 2020, com relação aos níveis de 1990, embora deixando a porta aberta para aumentar esta redução para 30%, se as condições o permitirem. Desde a Era Pré-Industrial a temperatura média mundial aumentou um grau e com o estado atual dos Planos Nacionais de Ação Climática, conhecidos como Contribuições Nacionais Determinadas (iNDC), o mundo caminha para um aumento de 3°C, ou até mais. O Presidente Macron, assinalou que as consequências das mudanças climáticas se multiplicaram e são cada vez mais intensas. Apesar das poucas vitorias, a COP-23 terminou sem atingir seus objetivos nem injetar o tão necessário sentido de urgência. “Cruzamos o ponto de não retorno”, alertou Macron.

Gaia Viverá!

Lúcia Chayb e René Capriles








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