Revista ECO•21

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Editorial

Edição 235
Junho 2016
 

Capa: Paisagem com animais Arte: Alexander Calder

   
  Saída britânica mina liderança da UE no clima
  Claudio Angelo
   
  UNEA-2 aprova resoluções para impulsionar desenvolvimento sustentável e o Acordo de Paris
  Shereen Zorba
   
  Riscos e atrasos na Agenda Sustentável do Brasil
  Carlos Roberto Vieira da Silva Filho
   
  Todos a bordo para cumprir a Agenda 2030
  José Serra
   
  Brasília sediará o 8° Fórum Mundial da Água em 2018
  Leonardo Aguilar
   
  Por que o consumo de água aumentou no Brasil?
  Washington Novaes
   
  O auge e a queda do “Bem Viver”
  Gonzalo Colque
   
  Entrevista com Izabella Teixeira
  Lúcia Chayb
   
  Entregar os parques estaduais a empresas privadas é solução?
  Raquel Rolnik
   
  Liberdade para poluir
  Carlos Minc
   
  Por que o Brasil está discutindo a PEC 65?
  Isabelle Meunier
   
  Entrevista com Samyra Crespo
  Lucia Chayb
   
  Agricultura brasileira e o aquecimento global
  Jean Marc von der Weid
   
  Agricultura familiar e desenvolvimento sustentável
  Thomas Cooper Patriota e Francesco Maria Pierri
   
  Mortes de ativistas socioambientais não podem se perder nas estatísticas
  Sucena Shkrada Resk
   
  O mundo está com febre
  Nurit Bensusan e Bruno Weis
   
  A sustentabilidade e a crise
  Rodolfo Nardez Sirol
   
  Para que serve o propósito?
  Álvaro Almeida
   
  Entrevista com Viviane Schuch e Dante Pavan a 8 meses do desastre de Mariana
  Raphael Sanz
   
  Clara, seus amiguinhos, e a natureza ao redor
  Tasso Azevedo
   
  Velho Chico
  Evaristo Eduardo de Miranda
   
  Um ano da Laudato Si
  Pe. Josafá Carlos de Siqueira SJ
   
O mundo caminha para um futuro eólico e solar
 

Em 2015, as energias renováveis representavam 32% da produção de eletricidade na Europa e atingirão 70% em 2040. Esta previsão foi publicada pelo PNUMA no seu informe intitulado “New Energy Outlook 2016 – NEO 2016”, encomendado à Bloomberg New Energy Finance (BNEF). E isso é somente o início da grande mudança que está acontecendo no âmbito da geração de energia, afirmou Elena Giannakopoulou, economista especializada em energia e uma das autoras do informe. Por causa do seu custo cada vez menor, as fontes limpas serão as mais baratas em muitos países já na década de 2020 e em quase o mundo inteiro a partir de 2030. Os preços do gás e do carvão continuarão baixos, mas isso não vai impedir uma transformação radical do sistema eléctrico mundial nas próximas décadas a favor das energias renováveis, como a eólica e a solar. Outro dado relevante é que a demanda de combustíveis fósseis para gerar eletricidade finalizará em menos de 10 anos, não porque estejam se esgotando as reservas de gás e carvão, mas porque estão se encontrando alternativas mais econômicas para a geração e armazenamento de energia. Segundo os dados do NEO 2016, o custo de geração com energia solar cairá 60% até 2040, e o da eólica 41%. Em, em 2030 as energias solar e eólica serão as fontes mais baratas na maior parte do mundo, segundo a BNEF. “Em 2025 acontecerá o pico do consumo de gás, carvão e petróleo; os fatores econômicos cada vez estão cada vez mais definidos; dito de outra forma, não haverá uma era dourada para o gás natural, esse ‘combustível ponte’ que levaria o mundo baseado no carvão para o das energias renováveis”, disse Seb Henbest, outro dos autores do informe. Ainda segundo o NEO-2016 serão investidos globalmente pelo menos US$ 7.8 trilhões em energias “verdes” entre 2016 e 2040, dois terços do investimento em toda a capacidade de geração de energia, distribuídos assim: 3,4 trilhões em energia solar, 3,1 trilhões em eólica quase um bilhão em hidráulica. Na contramão das aplicações financeiras, as energias fósseis atrairão investimentos de até, no máximo, US$ 2,1 trilhões, sobretudo nos países emergentes. Mas, para levar as emissões mundiais a uma faixa compatível com a meta climática de menos de 2°C proposto na COP-21 em Paris, serão necessários alguns trilhões a mais. Não se deve esquecer que quando um projeto solar ou eólico está construído, o custo da eletricidade gerada é mais ou menos zero (eletricidade grátis, como já aconteceu recentemente no Chile) enquanto que as usinas a carvão ou gás necessitam mais combustível para cada novo watt produzido. O Brasil já está colocado entre os maiores produtores de energia eólica do mundo. O levantamento “Energia Eólica no Brasil e Mundo”, do Ministério de Minas e Energia, aponta que o país foi o quarto colocado no ranking mundial de expansão de potência eólica em 2014. As nações que realizaram um avanço superior ao Brasil em 2014 foram a China (23.149 MW), Alemanha (6.184) e EUA (4.854). No mesmo período, o Brasil teve uma expansão de potência instalada de 2.686 MW. A legislação também acompanha as inovações “verdes”; no mês passado foi aprovada por unanimidade na câmara municipal de São Francisco (Califórnia) uma lei que determina que todo novo edifício residencial ou comercial de até 10 andares será obrigado a instalar painéis solares em seus telhados. Paris (França) também dispõe dessa medida. Projeto semelhante está sendo apresentado em São Paulo pela DASOL. Sem dúvida nenhuma, o NEO-2016 está se transformando numa Bíblia para os novos empresários globais. “Não se pode lutar contra o futuro”, escreveu Seb Henbest no informe.

Gaia Viverá!

Lúcia Chayb e René Capriles








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