Revista ECO•21

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Editorial

Edição 268
Março 2019
 

Greve dos estudantes pelo clima Foto Frank Jordans - IOL

   
  Frente Parlamentar Ambientalista deve conter retrocessos
  Tara Ayuk
   
  A patifaria dos negacionistas climáticos
  Alexandre Araújo Costa
   
  Tubarão-baleia e a nova política socioambiental brasileira
  André Lima
   
  Conservação fornece várias vitórias ao Brasil
  Bernardo B.N. Strassburg
   
  Os negacionistas brasileiros não desistem nunca
  Claudio Angelo
   
  Dia Mundial da Água 2019 — ‘Não deixar ninguém para trás’
  Giuliana Moreira
   
  China sediará o Dia Mundial do Meio Ambiente 2019
  Flora Pereira
   
  Mudanças climáticas: vamos ouvir os jovens do mundo
  Antônio Guterres
   
  As crianças dão o grito do futuro
  Marina Silva
   
  A campanha contra Greta é uma amostra da perda de valores
  Roberto Savio
   
  Como nós, o povo, podemos salvar o planeta
  Gary Null e Richard Gale
   
  O segredo para financiar o Green New Deal
  Ellen Brown
   
  Como o Green New Deal de Alexandria Ocasio-Cortez está sendo construído
  Zoya Teirstein
   
  Crise climática a opção pela Renatureza
  George Monbiot
   
  GEO-6 da ONU alerta: a sobrevivência na Terra está ameaçada
  Mayumi Yamasaki
   
  Éxito do Protocolo de Montreal na recuperação da Camada de Ozônio
  Rafaela Lamounier
   
  Movimento abraça Mata Atlântica para estimular o desenvolvimento regional
  Rudá Capriles
   
  Dia Nacional do Mico-Leão-Preto
  Paula Piccin
   
  A importância das pequenas plantas do Cerrado
  José Tadeu Arantes
   
  Sustentabilidade do Caroço de Açaí
  Irlene Aracati Marques
   
  StormGeo e Grupo Climatempo se unem em inteligência climática
  Ragnvald Moberg
   
  Doutoranda é ganhadora do Future For Nature Awards 2019
  Caio Rodrigo Albuquerque
   
  Dia para não ser esquecido: o que o Brasil tem a aprender com os oito anos do desastre de Fukushima
  Heitor Scalambrini Costa
   
  A responsabilidade socioambiental empresarial existe mesmo na prática?
  Marcus Nakagawa
   
  Não há desenvolvimento sem proteção ambiental
  Virgílio Viana
   
Um espectro ambientalista ronda a Europa e o mundo
 

Em 21 de Fevereiro de 1848, Karl Marx e Friedrich Engels lançaram o Manifesto Comunista, que se transformou num dos documentos políticos de maior influência e importância em nível mundial. O primeiro parágrafo diz textualmente: “Um espectro ronda a Europa – o espectro do comunismo. Todas as potências da velha Europa aliaram-se numa sagrada perseguição a esse espectro”. 171 anos depois, se vivos fossem, Marx e Engels certamente atualizariam o Manifesto com esta redação: “Um espectro verde ronda a Europa – o espectro do ambientalismo e das mudanças climáticas. Toda a juventude da velha Europa está unida numa aguerrida consecução desse objetivo; juntaram-se a eles o Papa, vários Secretários-Gerais das ONU, importantes líderes políticos europeus e os Partidos Verdes”. Ainda parafraseando o Manifesto original, continuamos especulando: “O ambientalismo já é reconhecido como uma força por todas as potências europeias. Já é tempo de os ambientalistas exporem abertamente, perante o mundo todo, sua maneira de pensar, os seus objetivos, as suas tendências, e de contraporem aos negacionistas das mudanças climáticas um Manifesto do próprio movimento”. E a resposta veio na voz de jovens como Greta Thunberg (Suécia), Anna Taylor e Holly Gillibrand (Reino Unido), Luisa Neubauer (Alemanha), Kyra Gantois, Anuna de Wever e Adelaide Charlier (Bélgica) e Alexandria Villasenor (Estados Unidos). Elas escreveram este Manifesto: “Nós, jovens de todo o mundo, não iremos à escola hoje para exigir dos adultos a responsabilidade por deter a mudança climática. (...) Hoje fazemos greve de Londres a Kampala, de Varsóvia a Bangcoc, porque os políticos nos decepcionaram. Presenciamos anos de negociações, acordos lamentáveis sobre a mudança climática, empresas de combustíveis fósseis com carta branca para abrir e perfurar nossas terras e queimar nosso futuro em benefício próprio. Vimos que as fraturas hídricas, a perfuração em águas profundas e as extrações de carvão continuam. Os políticos sabem a verdade sobre a mudança climática e entregaram voluntariamente o nosso futuro a especuladores cuja ânsia por dinheiro rápido põe em perigo a nossa existência”. A voz dos adolescentes impactou o mundo da alta política, Jean-Claude Juncker, Presidente da Comissão Europeia, após ouvir um discurso de Greta Thunberg e ao lado dela, afirmou que a Comissão investiria um quarto do orçamento da União Europeia na luta climática. Na sexta-feira 15/2, milhares de estudantes alemães fizeram a greve estudantil. Imediatamente houve uma resposta de Angela Merkel; ela disse que “na Alemanha, os jovens estão protestando pela proteção do clima; depois de anos, e sem nenhuma influência externa, de repente tiveram a ideia de participar do processo climático”. No dia 1º deste mês (Março) o The Guardian publicou uma Carta-Manifesto assinada pelo “Grupo de Coordenação Global da Greve Climática liderada por Jovens”. Nela eles dizem: “Nós, os jovens, estamos profundamente preocupados com o nosso futuro. A humanidade atualmente está causando a sexta extinção em massa de espécies e o sistema climático global está à beira de uma crise catastrófica. Seus impactos devastadores já são sentidos por milhões de pessoas em todo o mundo. No entanto, estamos longe de alcançar os objetivos do Acordo de Paris. Os jovens representam mais da metade da população global. Nossa geração cresceu com a crise climática e teremos que lidar com ela pelo resto de nossas vidas. Apesar disso, a maioria de nós não está incluída no processo de tomada de decisões local e global. Somos o futuro sem voz da humanidade. Nós não aceitaremos mais essa injustiça. Exigimos justiça para todas as vítimas passadas, atuais e futuras da crise climática, e assim estamos nos levantando. Milhares de pessoas saíram às ruas em todo o mundo. Agora faremos nossas vozes serem ouvidas. No dia 15/3, protestaremos em todos os continentes. Finalmente, precisamos tratar a crise climática como uma crise. É a maior ameaça na história da humanidade e não aceitaremos a inação dos tomadores de decisões do mundo ameaçando toda a nossa civilização. Nós não aceitaremos uma vida com medo e devastação. Temos o direito de viver nossos sonhos e esperanças. A mudança climática já está acontecendo. Pessoas morreram, estão morrendo e vão morrer por causa disso, mas nós podemos e vamos parar com essa loucura. Nós, os jovens, começamos a nos mexer!. Nós vamos mudar o destino da humanidade, quer vocês gostem ou não. Unidos vamos protestar até vermos implantada a justiça climática. Exigimos que os tomadores de decisões do mundo assumam a responsabilidade e resolvam essa crise”. Trata-se de uma verdadeira revolução; uma mudança de visão que está impactando o mundo todo e já atingiu em pleno à própria ONU. O Secretário-Geral, António Guterres disse: “Dezenas de milhares de jovens foram na sexta-feira 15 às ruas com uma clara mensagem para os líderes mundiais atuem agora para salvar o nosso Planeta e o nosso futuro da emergência climática. Estes estudantes aprenderam algo que muitas pessoas mais velhas parecem não entender: estamos correndo contra o relógio pelas nossas vidas e estamos perdendo”. Com as greves dos estudantes ambientalistas e com o lançamento do New Green Deal de Alexandria Ocasio-Cortez nos EUA, uma nova política está sendo gestada nesta Era do Antropoceno.

Gaia Viverá!

Lúcia Chayb e René Capriles

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