Revista ECO•21

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Editorial

Edição 234
Maio 2016
 

Capa: Periquitão-maracanã - Aratinga leucophthalma Ilustração: Tomas Sigrist

   
  Sarney Filho assume Ministério do Meio Ambiente
  Eric Von Farfan
   
  O MMA se baseará na política ambiental do Partido Verde
  Camila Caetano
   
  Enfrentando em Bonn as crises climática e econômica
  Alfredo Sirkis
   
  Brasil precisa ajustar no Acordo de Paris percentuais de redução de GEE
  Viviane Monteiro
   
  O silêncio não é uma opção
  Carlos Rittl
   
  O fim do licenciamento ambiental marca um retrocesso do Senado
  Pedro Martins
   
  PEC 65 do Licenciamento Ambiental - Os riscos para o país
  Fabio Feldmann
   
  A legislação ambiental sob muitos atropelos
  Washington Novaes
   
  Um diálogo produtivo, eficiente e necessário
  Marina Grossi
   
  Coalizão do C40 mostra que cidades melhores são viáveis
  Joel Jaeger
   
  A Lei de Gestão de Florestas Públicas dez anos depois
  Diuliane Silva
   
  A ciência brasileira aos trancos e barrancos
  Cezar de Cerqueira Leite
   
  Energias Renováveis empregam 8,1 milhões de pessoas no mundo
  Timothy Hurst
   
  Veto ao solar? Depende do ponto de vista!
  Luis Otávio Colaferro
   
  A reciclagem sofre com a falta de incentivos no Brasil
  Mário Cesar de Mauro
   
  Ações valorizam potencial da Caatinga
  Marta Moraes
   
  A Conservação Internacional lança perfil do Cerrado
  Aldem Bourscheit
   
  STF garante rotulagem de qualquer teor de transgênicos
  Renata Amaral
   
  Unificar setor de orgânicos para enfrentar a crise
  Ming Liu
   
  Agricultura Orgânica: para além do nicho de mercado
  Romeu Mattos Leite
   
  Velho Chico na vida real
  Marcia Hirota
   
  Será a derrota do Sertão nordestino?
  Roberto Malvezzi (Gogó)
   
  Metade da população mundial sofrerá falta de água em 2030
  Leda Letra
   
  É provável que haja um trilhão de micróbios na Terra
  Kevin Fryling
   
  Jardim Botânico do Rio inaugura projeto meliponário
  Alana Gandra
   
  Abelhas urbanas e sem ferrão
  Maria Lucia França Teixeira Moscatelli
   
  As onças de Mamirauá: um comportamento inédito
  Amanda Lelis
   
  Papagaios são tema de campanha nacional
  Gabriela Peretti
   
  O futuro ponto de inflexão ecológico e a grande transição
  Glen Barry
   
  África tem 17 patrimônios da natureza em risco
  Tara Ayuk
   
  Criar a nossa biosfera levou bilhões de anos
  Irina Bokova
   
  Chernobyl mudou nossas vidas
  Mikhail Gorbachev
   
Os Ministros do Meio Ambiente ficam longe da Lava-Jato
 

A administração política ambiental brasileira dos quatro últimos Ministros do Meio Ambiente se caracteriza por um denominador comum: nenhum deles, desde Marina Silva (Ministra de 1/1/2003 a 13/5/2008), passando por Carlos Minc (27/5/2008 a 31/3/2010), Izabella Teixeira (1//4/2010 a 12/5/2016) até Sarney Filho (foi Ministro a primeira vez de 1/1/1999 a 5/3/2002, e reassumiu agora em 12/5/2016 ), esteve citado em algum processo irregular decorrente da sua gestão. Esse fato é uma anomalia política num conjunto ministerial que envolve as áreas da agricultura, da energia, da pesca, do saneamento básico, das cidades, da saúde, etc. cujos titulares muitas vezes tiveram que se explicar perante a justiça federal. A área ambiental foi muitas vezes criticada por diversos setores ministeriais sendo acusada de impedir o desenvolvimento econômico agrícola e industrial. No campo da energia, a construção da Usina de Belo Monte recebe hoje graves acusações de corrupção, da mesma forma, a central nuclear Angra 3. Já diversos políticos do agronegócio são acusados de conluio com as empresas multinacionais proprietárias das sementes transgênicas e dos agrotóxicos, além de ter influído na mudança do Código Florestal para uma versão que não preserva as matas ciliares e facilita o desmatamento. No campo da mineração, a tragédia de Mariana é o maior exemplo da transgressão das leis ambientais, tendo como resultado a destruição de todo o bioma do Rio Doce. Hoje o Congresso Nacional está propondo um novo Código Minerário cuja permissividade para a exploração mineral é assustadora. Outro exemplo é a transposição das águas do Rio São Francisco, que também acusada de superfaturamento, teve sérios questionamentos sobre a sua efetividade. A exploração predatória da pesca fluvial e principalmente marinha já levou aos titulares desse ministério a responder questionamentos judiciais. Nesse panorama, as gestões dos últimos Ministros do Meio Ambiente podem ser consideradas verdadeiros exemplos de probidade. No linguajar dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, diriam “nihil obstat”, apesar de todas as grandes pressões que cada um dos titulares do meio ambiente teve por parte de emissários do universo político e de um particular setor lobista empresarial. Nos acontecimentos dos últimos tempos, a Ministra Izabella Teixeira teve que deixar seu posto após uma das melhores gestões do setor, fato que levou o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, a manifestar um dos seus raros elogios pela sua atuação na COP-21, mas, afortunadamente, o Governo Temer teve a sensatez de nomear Sarney Filho para sucedê-la. “Nihil obstat”!

Gaia Viverá!

Lúcia Chayb e René Capriles








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