Revista ECO•21

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Editorial

Edição 245
Abril 2017
 

Capa: Marcha pela Ciência em Brasília Foto: Antônio Cruz - ABr

   
  Marchas pela Ciência focam oposição global a Trump
  Claudio Angelo e Luciana Vicária
   
  EUA na direção oposta à da Laudato Si
  Maria Teresa Pontara Pederiva
   
  Trump, ameaça ao equilíbrio climático do Planeta
  Carlos Nobre e Rachel Biderman
   
  Desmatamento e redução de UCs afetam metas brasileiras no Acordo de Paris
  Fernanda Macedo
   
  Nenhum hectare a menos!
  Documento
   
  Parlamentares tiram proteção de Parque Nacional na Amazônia
  Giovanna Leopoldi e Júnia Braga
   
  Licenciamento Ambiental: proposta-bomba para o Brasil
  Mario Mantovani
   
  Crise do Rio reflexão crítica
  Carlos Minc
   
  Meio Ambiente perde metade dos recursos para 2017
  Jaime Gesisky
   
  Ministro defende geração de renda em parques
  Waleska Barbosa
   
  Precisamos de um tratado global sobre plástico
  Nils Simon
   
  Rios poluídos, cidades com sede
  Malu Ribeiro
   
  Biossistema: uma saída sustentável para tratar esgoto em favelas
  Vilma Homero
   
  Cisternas desenvolvem o Semiárido
  Camila Boehm
   
  Leo Helller fala do Direito à água e ao saneamento
  Viktoria Aberg
   
  As mudanças climáticas favorecem o terrorismo
  Christopher Stolzenberg
   
  ESA ajuda no transporte marítimo mais limpo
  Franco Bonacina
   
  Mobilidade de baixo carbono é fundamental para deter o aquecimento global
  Paula Tanscheit
   
  Um bilhão de pessoas sem acesso a eletricidade
  Beth Woodthorpe-Evans
   
  Educação ambiental no Século 21
  Roosevelt S. Fernandes
   
  Banimento do fracking une 46 cidades do Paraná
  Silvia Calciolari
   
  Reflexões na Semana dos Povos Indígenas - 2017
  Rodolfo Luís Weber
   
As marchas dos cientistas e do clima são um dever sagrado
 

“Esta é uma missão geracional. Temos que marchar”, disse a ativista Naomi Klein explicando porque participará da Marcha no Dia Mundial do Clima dos Povos, prevista para o dia 29 deste mês (Abril). É um protesto, entre outras razões, contra a possibilidade do Governo Trump se retirar do Acordo de Paris. A Marcha acontece num momento em que a quantidade de carbono presente na atmosfera está oficialmente fora de controle ao ter ultrapassado, pela primeira vez na história humana, o marco das 410 partes por milhão da concentração de CO2. O marco foi registrado no dia 18 deste mês no Observatório Mauna Loa, Havaí. Desde que o Planeta atingiu no ano passado o perigoso estágio de 400 ppm, os cientistas advertiram que o ritmo das concentrações de CO2 está acelerado significando que a humanidade está indo para o ponto de não retorno na direção do caos climático. Apesar dessa ameaça sem precedentes e das advertências dos cientistas, a ação climática tem dominado a política ambiental de Trump e de Scott Pruitt, Chefe da Agência de Proteção Ambiental, forçando ativistas e cidadãos interessados a irem às ruas para advertir o Governo de que se deve fazer algo para enfrentar essa ameaça de devastação planetária. Segundo o Climate Advisers, a política de Trump, quanto a mudanças climáticas, poderia gerar mais 500 milhões de toneladas de Gases de Efeito Estufa na atmosfera até 2025. A Marcha pela Ciência uniu continentes em defesa de um projeto comum para humanizar a ciência, torná-la mais próxima das pessoas e apoiar os cientistas num momento em que se reduzem os investimentos nessa área. Na América Latina, 60 cidades de 11 países se uniram à Marcha contribuindo com 10% dos eventos realizados em 610 cidades de todo o mundo. No Brasil, 25 cidades aderiram à iniciativa mundial. Em São Paulo, Helena Nader Presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) foi muito aclamada pelo seu discurso no encontro. Disse ao Estadão: “Chega de nos classificar como gasto; nós somos investimento. A nossa economia sobrevive por causa da ciência” Já Ildeu Moreira, vice-presidente da SBPC e um dos organizadores da Marcha no Brasil, afirmou: “O movimento brasileiro é mais amplo do que a campanha anti-Trump dos EUA, aqui adicionamos as questões locais”. Também destacou o corte de mais de 40% do orçamento para ciência e tecnologia realizado pelo Governo de Temer. A Marcha pela Ciência, primeira de sua espécie, era oficialmente não política. Foi concebida por Caroline Weinberg, Valorie Aquino e Jonathan Berman, pesquisadores estadunidenses, ao considerar que a ciência está "sob ataque" pelo Governo Trump. Por sua vez, Trump divulgou uma declaração na qual insistiu que seu Governo estava comprometido em preservar a "beleza inspiradora" da América, ao mesmo tempo em que protege os empregos. “A ciência rigorosa é crítica para meus esforços por alcançar os objetivos de crescimento econômico e proteção ambiental. Minha Administração está empenhada em avançar na pesquisa científica que leva a uma melhor compreensão do nosso ambiente e dos riscos ambientais Ao fazê-lo, devemos lembrar que a ciência rigorosa não depende da ideologia, mas de um espírito de investigação honesto e um debate sólido". Na convocação para a Marcha nos EUA os organizadores justificaram o ato assim: “Embora comece com uma Marcha, nós esperamos usar isto como um ponto de partida para tomar uma posição sobre a ciência na política. Cortar o financiamento e restringir os cientistas de comunicar suas descobertas (de pesquisa financiada com impostos) com o público é absurdo e não pode ser aceito como norma política. Há certas coisas que aceitamos como fatos sem alternativas. A Terra está se tornando mais quente devido à ação humana. A diversidade da vida surgiu pela evolução. Os políticos que desvalorizam o conhecimento e arriscam tomar decisões que não refletem a realidade devem ser responsabilizados. Um governo que ignora a ciência para impor agendas ideológicas põe em perigo o mundo”. Agora, incentivados pela energia da Marcha pela Ciência, os ativistas estão se preparando novamente. "A Marcha do Clima dos Povos é o próximo passo, um chamado para nos engajar no nosso sistema político, para enfrentar o poder e exigir soluções", explicou May Boeve, da 350.org. “É uma nova atmosfera com a qual a humanidade terá que lidar; o aquecimento está fazendo com que o clima mude a um ritmo acelerado; o CO2 não atingiu esse nível em 4,5 milhões de anos”, escreveu Brian Kahn do Climate Central. Essa terrível realidade é a força motriz por trás da Marcha. “A mudança climática nos diz que precisamos agir. Este é o momento. Temos de marchar. É um dever sagrado”, disse Klein, resumindo o pensamento de todo o universo científico e ambientalista mundial.

Gaia Viverá!

Lúcia Chayb e René Capriles








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