Revista ECO•21

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Editorial

Edição 250
Setembro 2017
 

Capa: Cachorro numa inundação na Colômbia depois de uma tormenta Foto: Luis Robayo

   
  França propõe pacto ambiental na ONU
  Erik Von Farfan
   
  Após o Harvey, é hora de falar sobre mudanças climáticas
  Naomi Klein
   
  Não é possível simplesmente se adaptar ao Irma
  Mohammed Adow
   
  O planeta em alerta
  Nathália Clark
   
  População e mudanças climáticas
  Natalia Kanem
   
  Ouro de tolo: RENCA e o futuro da Amazônia
  Carlos Eduardo Frickmann Young
   
  RENCA: A floresta que estão prestes a derrubar
  André Ramos
   
  Projeto de Lei ameaça patrimônio natural e cultural do Paraná
  Giem Guimarães
   
  Emissões de carbono podem aumentar até 90% na Amazônia em 50 anos
  Karinna Matozinhos
   
  Desmonte da ciência brasileira é um risco à conservação da biodiversidade
  Daniela Klebis
   
  País avança nas metas para a Camada de Ozônio
  Lucas Tolentino
   
  O Buraco de ozônio e os 30 anos do Protocolo de Montreal
  Fred Pearce
   
  Por que a energia solar continua sendo subestimada
  Felix Creutzig
   
  Nível de gelo no Ártico em 2017 é o oitavo menor da história
  Gabriela Yamaguchi
   
  Países prometem trabalhar juntos pelos oceanos
  Jaime Gesisky
   
  Projeto ONE2030 busca soluções para os desafios da humanidade
  Elisa Homem de Mello
   
  Leonardo DiCaprio chama de crise a exploração oceânica
  Lorraine Chow
   
  Debate sobre redução de agrotóxicos incomoda ruralistas
  Jéssika Oliveira
   
  Sustentabilidade em um colégio militar na Amazônia
  Mario Anselmo Marszalek e Guilherme Henrique Almeida Pereira
   
  Nasce um novo país feito com o lixo dos oceanos
  Tara Ayuk
   
O Brasil ouviu uma promessa: zelar pelo meio ambiente
 

No seu discurso de posse, no dia 18 deste mês, a nova Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, pronunciou palavras referenciais sobre o meio ambiente que raramente são ouvidas numa cerimônia protocolar. Ela disse: “Recebo com humildade o precioso legado de serviço à pátria, forjado pelos Procuradores-Gerais da República que me antecederam, certa de que o Ministério Público deve promover justiça, defender a democracia, zelar pelo bem comum e pelo meio ambiente, assegurar voz a quem não a tem e garantir que ninguém esteja acima da lei e ninguém esteja abaixo da lei”. E, logo acrescentou: “foi por causa da desigualdade persistente, da ausência de liberdades e do sofrimento cotidiano das pessoas, que reivindicamos também outras atribuições constitucionais, como a defesa da democracia, da sociedade e do meio ambiente e de zelar pelo respeito dos poderes públicos aos direitos assegurados na Constituição”. Enquanto a tempestade da Java-Jato continuava fazendo estragos na política nacional, os furacões Harvey, Irma e Maria, devastavam a Flórida e o Caribe, afetando quase 50 milhões de pessoas. Esses desastres simultâneos chamaram a atenção das pessoas de uma forma que os eventos isolados não o fazem. Scott Knowles, professor de história na Universidade Drexel afirma num artigo que “Os desastres abrem a mente para a possibilidade de que não sejam apenas acidentes ou fenômenos naturais, eles podem provocar debates sobre as grandes ‘lições de desastres’ que devemos aprender. A combinação de Harvey e Irma desencadeou esse momento”. Ciente da gravidade climática, o Presidente da França, Emmanuel Macron, contestando o negacionista Trump na Assembleia-Geral da ONU, aproveitou a ocasião para lançar o Pacto Mundial para o Meio Ambiente consolidando todas as Convenções, Protocolos e Normas num único instrumento vinculante com poder universal. Macron disse: “Um documento-quadro que estabelecerá Direitos, mas também deveres para a Humanidade em relação à Natureza e, portanto, em relação a si mesmo. Todos sabem que a degradação do meio ambiente já está causando milhares de mortes devido ao aquecimento do Planeta e à poluição do ar. Isso acentuará as guerras pela água, agravando a fome e o esgotamento dos recursos naturais. Esses desastres serão piores amanhã se não fizermos nada enquanto é possível; temos de agir imediatamente”. Os danos provocados pelas tempestades, sem dúvida nenhuma, resultarão em importantes ensinamentos para preparar uma resposta preventiva e adequada aos desastres. Para muitos, porém, o ponto fulcral para se preparar é o fato de reconhecer, finalmente, a conexão entre as mudanças climáticas e os eventos extremos. Acompanhando a onda de preocupações sobre o estado do Planeta, e após ter visto as consequências dos três grandes furações, mais os terremotos no México, o Papa Francisco, no início deste Setembro, fez uma oportuna convocatória aos católicos de todo o mundo no sentido de agir em defesa do meio ambiente. A mensagem do Papa marca o início do chamado “Tempo da Criação”, que é um mês de eventos pela preservação ambiental reunindo cristãos de todas as vertentes, inclusive os ortodoxos liderados pelo Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I. Para minimizar esse futuro sombrio, há dois anos, em 25 de Setembro de 2015, líderes de 193 países da ONU, aprovaram por consenso a Agenda 2030 e os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Este novo marco referencial da comunidade internacional foi o resultado de um processo que teve início em 2012, na RIO+20. No cerne do documento, se encontra a preocupação de integrar os três pilares do desenvolvimento: o social, o econômico e o ambiental. Hoje os ODS são o principal guia para a ação nas áreas mais importantes para poder sobreviver. Inspirada no Papa e nos ODS, a Procuradora “verde” Raquel Dodge nos incita a não perder a esperança e muito esclarece quando afirma que: “Nosso país continua marcado por grande desigualdade social; a violência urbana e rural atingiu níveis inaceitáveis e os jovens são os mais atingidos; a liberdade de expressão tem sido marcada pelo assassinato de muitos jornalistas; os serviços públicos são precários, sobretudo nas escolas e hospitais públicos; a devastação das florestas e desastres dolorosos como os de Mariana são sinais evidentes de que o meio ambiente precisa de proteção concreta”.
Também inspirados nessas ideias, após 27 anos de uma luta utópica, com esta edição chegamos ao número 250 da ECO 21. Agradecemos aos nossos leitores a sua fidelidade, aos nossos colaboradores a sua gentileza e aos nossos anunciantes a sua confiança.

Gaia Viverá!

Lúcia Chayb e René Capriles








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