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A menos de 6 meses para a reunião do clima de Copenhague, a questão ambiental já domina as decisões políticas, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos. Nas recentes eleições para o Parlamento Europeu, o grande vencedor foi o emblemático nome do germano-francês Daniel Cohn-Bendit, o “Danny Le Rouge” das barricadas parisienses de 68 lançando o grito de guerra:“É proibido proibir”. Ressurgiu agora ameaçando a hegemonia dos maiores nomes da política francesa. Tão forte foi o impacto dos milhares de votos que ele teve em nome dos Verdes que Nicolas Zarkozy foi obrigado a iniciar, no dia seguinte da eleição, uma ofensiva ambiental na França tratando de cooptar o espaço já controlado por Cohn-Bendit. Houve políticos de direita que trataram de impugnar o pleito (realizado na França o dia 7 de Junho) por causa da exibição do filme de Yann Arthus-Bertrand, “Home”, lançado no mundo inteiro no Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de Junho, e visto na França por mais de 9,5 milhões de espectadores, segundo France Télevisions, aduzindo ter influenciado o eleitorado. A onda ambiental avançou mais vigorosamente ainda, como um tsunami, nos EUA onde Barack Obama, num pronunciamento histórico para o movimento ecologista mundial, declarou que os EUA já estavam sofrendo as consequências das mudanças climáticas. Que a questão ambiental não era para o “próximo ano, nem mais além” e sim para já, que chegamos ao ponto decisivo do qual não haverá reversão. Enquanto isso, o Brasil avança em“marcha à ré”, como bem diz o professor José Eli da Veiga. O nosso Senado aprovou uma Medida Provisória que contraria até as Leis florestais de Dom João VI, tamanha a regressão política do legislativo. Felizmente, “A Farra do Boi”, o impactante relatório do Greenpeace provocou uma reação entre as empresas que financiam o gado procedente do desmatamento amazônico motivando o cancelamento de vultosos contratos. O Ministro Carlos Minc, entrincheirado na Lei de Crimes Ambientais resiste à ofensiva ruralista com a mesma força que teve quando era um dos ativistas de 68. Daniel Cohn-Bendit e Carlos Minc são herdeiros da mesma tradição: a política ambiental que busca a sustentabilidade com crescimento equilibrado, respeitando as leis da natureza e as leis humanas que defendem essa mesma natureza. O grito de agora, neste mês de Junho de 2009, no Dia Mundial do Meio Ambiente, deveria ser: “É proibido desmatar”.
Gaia Viverá!
Lúcia Chayb e René Capriles
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