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Mesmo com todo o conhecimento acumulado pelos cientistas especializados em desertificação, as políticas públicas de muitos países não encontram soluções para deter o inclemente avanço da erosão e das áreas secas. A “II Conferência sobre Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento em Regiões Áridas e Semiáridas”, realizada em Fortaleza, revelou preocupantes dados da realidade atual: mais de 100 países sofrem os devastadores efeitos do fenômeno, biomas inteiros se encontram totalmente afetados, mesmo o Saara padece os efeitos da desertificação. O Mar de Aral está reduzido a menos da metade do seu tamanho original e o Mar Morto já perdeu um terço de sua superfície pela ação antrópica. A desertificação é uma realidade presente em 33% da superfície da Terra, tanto em zonas áridas como nas semiáridas. Se adicionarmos a esses dados a informação de que nesses lugares vivem mais de dois bilhões de pessoas, esse fenômeno se transforma numa tragédia e, em alguns casos um genocídio. Com base nessas informações, a ONU lançou a “Década das Nações Unidas para os Desertos e de Luta Contra a Desertificação”, que coincide com o décimo aniversário da entrada em vigor da Convenção da ONU sobre o Combate à Desertificação, relevante instrumento nos esforços para erradicar a pobreza e alcançar o desenvolvimento sustentável. Luc Gnacadja, Secretário-Executivo da Convenção da ONU para o Combate à Desertificação, afirmou em Fortaleza que essa é uma iniciativa para estimular a ação dos governos no sentido de conseguir maior proteção e melhor manejo das terras secas do mundo. O Secretário-Geral da ONU Ban Ki-moon, sobre o lançamento da Década disse que “A degradação progressiva dos solos, seja por consequência da mudança do clima, das práticas agrícolas insustentáveis ou da má administração dos recursos naturais, representa uma ameaça à segurança alimentar, gerando fome entre as comunidades mais afetadas e roubando as terras produtivas do mundo. Ao iniciarmos a Década para os Desertos e a Luta Contra a Desertificação, nos comprometemos a intensificar nossos esforços para cuidar da terra de que necessitamos para implementar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e garantir o bem-estar humano. Além de todos os males que produz a desertificação, ela é uma das formas mais alarmantes da degradação do ambiente, ameaça a saúde e os meios de subsistência de mais de dois bilhões de pessoas e se calcula que, todos os anos, a desertificação e a seca causem uma perda da produção agrícola da ordem dos 42 bilhões de dólares.
Gaia viverá!
René Capriles e Lúcia Chayb
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