Revista ECO•21

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Editorial

Edição 158
Janeiro
 

Capa: Criança vítima do terremoto do Haiti Foto: Justin Stumberg

   
  Temas para um novo ano
  Washington Novaes
   
  A cruzada para negar o aquecimento global
  Ladislau Dowbor
   
  A Conferência do México 2010: As incertezas da descarbonização
  José Eli da Veiga
   
  De olho na COP 16
  Rubens Harry Born
   
  Uma nova igualdade depois da crise
  Eric Hobsbawm
   
  Crescimento insustentável
  Roberto Nicolsky
   
  Os pecados do Haiti
  Eduardo Galeano
   
  A natureza do risco tanto no Haiti quanto em Angra
  Edézio Teixeira de Carvalho
   
  Haiti, Zilda Arns e nós
  Marina Silva
   
  O legado profético de Zilda Arns
  Leonardo Boff
   
  Mais sustentabilidade no mercado
  Dal Marcondes
   
  Portugal tem avanço esmagador em fontes renováveis
  Mario de Queiroz
   
  O TAV Trem Bala e a tecnologia nacional
  Álvaro Rodrigues dos Santos
   
  O filme Avatar sob a visão do Direito Espacial
  José Monserrat Filho
   
  Genética preserva jacarés
  Caio Albuquerque
   
  Mudança climática: uma total violação dos direitos humanos
  Ricardo Carrere
   
  Pesquisadores apresentam relatório de expedição sobre vida marinha
  Wagner Mezoni
   
  O Brasil vai à Malásia para a 4ª Conferência de Geoparks
  Ana Huara
   
  Pecuária verde é possível
  Thais Iervolino
   
  Lula homologa 5 milhões de hectares de Terras Indígenas
  Márcio Meira
   
  No som e nas cores do Kuarup
  Denise Carvalho
   
2010 é o ano da prestação de contas
 

Ao mesmo tempo em que os fogos de artifício celebravam no mundo inteiro a entrada do ano 2010, também começava a contagem regressiva para adotar severas medidas de prevenção que evitem o desastre da extinção de milhares de espécies e o aquecimento global. A UNESCO deu início ao Ano Mundial da Biodiversidade e a ONU busca a superação do trauma de Copenhague correndo contra o relógio para chegar à COP-16, a 16ª Conferência das Partes da Convenção sobre Mudanças Climáticas prevista para Dezembro no México. Ahmed Djoghlaf, Secretário-Executivo da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), lembrou que todo o mundo deve assumir uma mudança de atitude para preservar a vida na Terra. A conservação da biodiversidade, o uso sustentável de seus componentes e a distribuição equitativa e justa dos benefícios advindos da utilização dos recursos genéticos são as três metas estabelecidas pela CDB para os países signatários. No caso brasileiro, o cumprimento de tais metas está diretamente relacionado ao combate do desmatamento. O movimento ambientalista mundial está de prontidão, diversas instituições propõem que sejam investidos esforços e recursos, governamentais e não-governamentais, para reduzir o desmatamento a zero em todo o país até 2015. “A conservação da diversidade biológica é um dos temas de maior destaque do ano, e os olhos do mundo certamente se voltarão para o Brasil. Temos a sorte de abrigar em nosso território uma imensa riqueza biológica, mas temos também a responsabilidade de cuidar de sua preservação e sobrevivência”, segundo o WWF-Brasil. De acordo com o MMA, atualmente há cerca de 400 espécies da fauna brasileira ameaçadas. As principais causas de extinção são a degradação e a fragmentação de ambientes naturais, causadas pela expansão urbana, agricultura, pecuária, poluição e incêndios. A comunidade científica prevê que os impactos do aquecimento global neste ano serão mais drásticos, afetando tanto humanos quanto animais e vegetais. A esperança levantada na COP-15 revelou que os grandes interesses econômicos, principalmente dos combustíveis fósseis, enterraram definitivamente o Protocolo de Kyoto; esse fato levou à União Européia e ao grupo BASIC (Brasil, África do Sul, Índia e China) a procurar saídas emergenciais que evitem o débâcle. Barack Obama, por sua vez voltou à carga no Congresso dos EUA para tratar de aprovar a nova Lei sobre a energia que, se aprovada, mudará totalmente o roteiro do desenvolvimento sustentável. Apesar de ter cedido em pontos-chave, como energia nuclear e biocombustíveis, a proposta de Obama é ainda a melhor opção em nível dos EUA e pela repercussão que terá no mundo inteiro. O ano 2010 se abre com a esperança da implementação de ações concretas para a preservação das espécies e se encerrará no México com uma única opção: assumir a conta da luta contra o aquecimento global. Por isso, 2010 será o ano da última prestação de contas. Depois não haverá mais como pendurar o custo do consumo porque não haverá o que consumir.


Gaia viverá!
René Capriles e Lúcia Chayb











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