Revista ECO•21

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Editorial

Edição 237
Agosto 2016
 

Capa: Ouriço-lápis-vermelho na Reserva Marinha de Papahanaumokuakea, no Havaí Foto: James Watt

   
  Obama cria a maior área marinha protegida do mundo
  René Capriles
   
  Ambientalistas manterão pressão ao Governo Temer
  Erik Von Farfan
   
  É hora do Brasil ratificar o Acordo de Paris
  Tasso Azevedo
   
  ONU debate melhor gestão para o alto mar
  Lyndal Rowlands
   
  Desperdício e destruição na era dos plásticos
  Ricardo Abramovay
   
  Vamos mesmo precisar de dois novos planetas?
  Mariana Kaipper Ceratti
   
  Mudança climática ameaça o sucesso do agronegócio brasileiro
  Sergio C. Trindade
   
  Entrevista com Nelton Friedrich
  Lúcia Chayb
   
  Muitas espécies de plantas estão a caminho da extinção
  Ana Maria Almeida
   
  Diversidade faz Amazônia resistir ao clima
  Camila Faria
   
  O Espaço do Ser Humano
  José Monserrat Filho
   
  Direitos indígenas e a mudança climática
  Baher Kamal
   
  Os desafios dos povos indígenas são enormes no Brasil
  Victoria Tauli Corpuz
   
  Philip Fearnside: o licenciamento ambiental no Brasil está ameaçado
  Cimone Barros
   
  História adverte da força destrutiva da seca
  Tim Radford
   
  As nascentes no Código Florestal: uma proposta para a boa solução do “imbróglio” criado
  Álvaro Rodrigues dos Santos
   
  COP-22: meta de prédios com energia própria até 2050
  Denise David
   
  Setor eólico precisa do governo para se expandir no Brasil
  Leandro Duarte
   
  O ‘primo pobre’ pede socorro
  Washington Novaes
   
  Monsanto desafia a Índia
  Vandana Shiva
   
  Analfabetismo ambiental e a preocupação com o futuro do planeta
  Júlio Ottoboni
   
  Compromisso com a sustentabilidade
  Guilherme Afif Domingos
   
  Jornal científico homenageia o acadêmico Liu Hsu
  Elisa Oswaldo-Cruz
   
O legado, o impeachment e as mudanças climáticas
 

As mudanças climáticas são implacáveis para com a fauna, a flora e os seres humanos. A história dos eventos extremos, a partir da antiguidade, registra a extinção maciça de animais e, mais recentemente, de sociedades organizadas. Um exemplo clássico são os maias que, no primeiro século de nossa Era, quase sucumbiram pela falta de uma boa gestão da água, assim como os assírios, pouco antes de Cristo; algo similar aconteceu com outras sociedades, como a chinesa. Pulando no tempo, há exemplos socioambientais na Europa. Em 1789 a inclemência do clima na França motivou a revolta dos camponeses que sofriam com a seca e a falta de comida gerando assim a Revolução Francesa. Hoje o perigo é maior ainda. Já estão desaparecendo países-ilhas no Pacífico e, em algumas décadas, se não adotarmos medidas radicais para controlar o aquecimento global, inúmeras metrópoles e terras baixas ficarão sob as águas dos oceanos. Felizmente há uma crescente consciência do problema climático e iniciativas como as do Presidente Obama, que deixa como principal legado o tombamento de uma área do Oceano Pacífico do tamanho do Estado do Amazonas e a Lei do Ar Limpo. Soma-se a isso, a diplomacia ao ter articulado com os chineses a assinatura do Acordo de Paris. Durante seus 7 anos e meio no cargo, Obama promulgou leis que afetam a economia dos EUA ao exigir o corte das emissões de CO2, desde nos carros até nas usinas de carvão. Em plena campanha eleitoral, agora a maioria dos estadunidenses entendem que a mudança climática é real. As sociedades não se desestabilizam somente pelo clima, mas também a corrupção faz estragos que levam à queda de governos consolidados como o da União Soviética, que acabou não por uma perestroika ética, mas econômica. O Partido Comunista ruiu entre outras razões pela enorme despesa gerada na corrida espacial e pela manutenção da estação espacial MIR, que custou bilhões de rublos. Só um acordo internacional como o da ISS pode manter um programa espacial semelhante em funcionamento. Já no Brasil, a corrupção derrubou uma estrutura de poder consolidada durante 14 anos dos governos do PT. Fora da quase falência da Petrobras, a disponibilização de um alto volume de crédito para a agricultura (R$ 202 bilhões destinados ao Plano Safra) foi o estopim para gerar uma denúncia por crime de responsabilidade que levou à queda da Presidenta Dilma Rousseff. O legado ambiental que deixa a era PT não é nada animador. O famigerado novo Código Florestal, a questionada obra de transposição das águas do Rio São Francisco, o projeto de sete usinas nucleares, os discutíveis investimentos das usinas hidroelétricas de Belo Monte, Santo Antônio e Jirau, as oscilações no controle do desmatamento, a falta de rigor fiscalizador no setor minerário, fato que levou ao maior desastre ambiental mundial ao poluir o Rio Doce devido ao rompimento da barragem de Mariana. Fora das ações do Executivo, tanto a Câmara dos Deputados quanto o Senado Federal anunciam preocupantes ações legislativas como o novo Código Minerário e o enfraquecimento do Licenciamento Ambiental para obras de impacto nos diversos biomas. A isso se soma a destruição do Cerrado, que foi convertido num sério candidato à desertificação, fato que levará à falta de água na maior parte do Brasil, tudo para plantar soja transgênica e favorecer as Monsanto da vida. Também o descontrole do uso de agrotóxicos proibidos gerará graves problemas na saúde pública. É bom lembrar que a corrupção é um mal maior que derrubou governos de países como Itália, Espanha, Portugal e Grécia. Ainda há tempo de corrigir o rumo. O primeiro passo pode ser dado nas eleições municipais elegendo vereadores e prefeitos identificados com os valores da ética e do respeito para com o futuro das cidades e dos cidadãos.

Gaia Viverá!

Lúcia Chayb e René Capriles








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