Revista ECO•21

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Edição 158
O Brasil vai à Malásia para a 4ª Conferência de Geoparks
Ana Huara
Ambientalista, fotógrafa e estudante de Geografia e Meio Ambiente na PUC-RJ
 
A Quarta Conferência Internacional da UNESCO sobre Geoparks acontecerá na Malásia, Sudeste Asiático, entre os dias 9 e 15 do próximo mês de Abril. O local escolhido pela UNESCO para sediar o evento é nada menos que o primeiro Geopark mundial: o Langkawi Global Geopark. Este lugar é um raro grupo de 99 ilhas que possui as mais antigas e completas rochas da Era Paleozóica.
O geoturismo, intimamente relacionado aos Geoparks, é uma indústria que está passando por crescimento rápido, mantido por pessoas que buscam o conhecimento e apreciação das marcas de antigas formas de vida, sua evolução, seu ambiente no passado e a partir daí tentam compreender o presente e visionar o futuro.
Essa iniciativa da UNESCO de criar Geoparks globais possui como objetivo a proteção e promoção de locais com interesses geológicos, proporcionando uma visão holística do ambiente através da educação ambiental tanto para os turistas quanto para as populações locais, que ampliam suas oportunidades de renda a partir do mercado do turismo. Atualmente existem 58 Geoparks nacionais, distribuídos em 18 países, a grande maioria na China, que atualmente são membros da rede mundial de Geoparks nacionais se beneficiando do suporte da UNESCO. As conferências anteriores realizadas em Pequim, China (2004), Belfast. Irlanda (2006) e Osnabrück, Alemanha (2008) tiveram um importante apoio governamental, ministerial e significativa cobertura da mídia.
Nas últimas décadas o papel desempenhado pelas geociências no palco do desenvolvimento sustentável cresceu bastante tanto em escala local quanto global. Atualmente, esse papel é cada vez mais importante principalmente devido à ampliação de debates ligados às questões ambientais como a necessidade de uma visão holística da natureza, o conceito de sustentabilidade ou as mudanças climáticas.
O Brasil aparece nesse cenário como o primeiro país das Américas e de todo o Hemisfério Sul a possuir um parque fossilífero reconhecido pela UNESCO: o Geopark Araripe. Este Geopark abrange uma área de aproximadamente 5.000 km2 na região do Cariri, no Sul do Ceará. O parque está localizado entre os municípios de Barbalha, Crato, Juazeiro do Norte, Missão Velha, Nova Olinda e Santana do Cariri. Nesse local foi estabelecida uma rede de Unidades de Conservação da Natureza, identificadas como geotopes onde se encontram os principais afloramentos da história da evolução da vida e da Terra no Período Cretáceo. Cada um dos nove geotopes corresponde a um estrato e tempo geológico definido, permitindo aos visitantes e pesquisadores abrangente compreensão da origem, evolução e estrutura atual da Bacia Sedimentar do Araripe. O Geopark Araripe é detentor de registros geológicos e paleontológicos que datam de 70 e 110 milhões de anos, em extraordinário estado de preservação. Essa região possui mais de um terço de todos os registros dos Pterossauros descritos no mundo, mais de 20 ordens diferentes de insetos e a única notação da interação inseto-planta.
Um Geopark é definido da seguinte maneira: território com limites definidos e que possui sítios de grande valor científico cujos patrimônios socioeconômico, cultural, histórico, ambiental e geológico apresentam importantes raridade, riqueza em biodiversidade e contam a história da Terra além de atribuir identidade ao lugar. Nesse território estão localizados diversos sítios geológicos e paleontológicos, selecionados de acordo com a relevância das suas características para a história da terra. Apesar do destaque ao patrimônio geológico, também são considerados outros aspectos fundamentais relacionados à biodiversidade, história, cultura e arqueologia.
Pode-se sintetizar como propostas do Geopark Araripe:
• Proteger e preservar legalmente os principais sítios selecionados, nomeados cientificamente como Geotopes, tendo em vista que contam a história da evolução do planeta e da vida.
• Proporcionar à população local e visitantes oportunidades de conhecer e compreender tanto a conjuntura científica selecionada das várias eras geológicas componentes do Período Cretáceo, além de outros contextos regionais vigentes, como o ecoturismo na Floresta Nacional do Araripe.
• Possibilitar contato com registros arqueológicos do povoamento ancestral da região e que ainda são características marcantes de culturas locais atuais.
• Intensificar relações com todo um espectro de atividades – científicas, culturais, turísticas e econômicas – dando ênfase à história evolutiva da Terra e da vida, das ciências do ambiente e da natureza, das humanidades e da cultura.
• Validar relações entre aspectos da história de ocupação do território, da cultura regional e suas manifestações e das formas de apropriação dos recursos naturais na região.
Vale destacar que o Geopark Araripe em breve será ampliado, passando a incorporar localidades que apresentem importantes registros arqueológicos, como pinturas rupestres, materiais cerâmicos e artefatos líticos.
Em Dezembro passado, foi realizado na cidade do Crato (CE), o I Encontro Brasileiro de Geoparks: Construindo Novas Candidaturas. O evento ficou marcado pela apresentação de projetos para a estruturação e desenvolvimento do turismo na região, requisitos fundamentais para que a UNESCO possa aprovar novos Geoparks ou mantê-los. Também foram discutidas outras candidaturas a Geoparks e o Brasil possui seis aspirantes: Campos Gerais, no Paraná; Bodoquena Pantanal, no Mato Grosso do Sul; Vale da Ribeira e Tietê, em São Paulo; Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais e Búzios, no Rio de Janeiro. O objetivo é que estes potenciais Geoparks tenham todos os requisitos preenchidos para que na Conferência Global de Geoparks, na Malásia, possam ser aprovados e dessa maneira ampliados os Geoparks brasileiros.












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