Revista ECO•21

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Edição 241
Fórum Pacto Global: parcerias e investimentos para os ODS
Daniela Stefano
Jornalista da Rede Brasil do Pacto Global
 
Capacitar, compartilhar, colaborar. Essas são as palavras chave daqui para frente, na opinião das participantes do painel “Caminhos para a implementar a Agenda 2030”, composto exclusivamente por mulheres. O Fórum Pacto Global (SP, 9/11/2016) analisou os principais desafios para a conquista dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Margarett Groff, Diretora Financeira Executiva da Itaipu Binacional, acredita que o grande desafio é a capacitação dos gestores, para que os empresários se conscientizem do que são os ODS. Segundo ela, é necessária a integração da academia com a indústria. Nesse aspecto, ela diz que as empresas têm um papel fundamental de aproximação com as universidades.
Da parte do Governo Federal, foi assinado, em 31 de Outubro passado, o Decreto que cria a Comissão Nacional para os ODS, com a “finalidade de internalizar, difundir e dar transparência ao processo de implementação da Agenda 2030”, firmada pelo Brasil. A Comissão funcionará com a participação ativa da sociedade civil e dos governos federal, estaduais e municipais, já que a implementação das ODS “é responsabilidade de todos”, na opinião de Rúbia Quintão, Coordenadora-Geral de Projetos Especiais da Secretaria de Governo da Articulação Social da Presidência da República.
Financiar essa implementação é possível, acredita Tatiana Assali, representante para a América Latina da Principles for Responsible Investments (PRI). Tatiana vê os “Green Bonds” (Títulos Verdes) como uma excelente fonte de recursos. Semelhantes aos títulos de dívida comuns, os “Green Bonds” só podem ser usados no financiamento de investimentos considerados sustentáveis. Embora esses títulos ainda precisem ser regulados no Brasil, ela comentou que é “nossa missão mudar o mundo ao invés de esperar o mundo mudar”.
Apontando soluções, Tatiana Assali vê nos ODS uma oportunidade de negócios, de investimentos e de mitigação de riscos para o setor privado. Para concretizar isso, as parcerias são fundamentais. “O individualismo não é mais a solução. Temos de trabalhar colaborativamente”, afirmou. O painel teve a mediação da Gerente de Parcerias e Desenvolvimento para o Setor Privado do PNUD Brasil, Luciana Aguiar.
Segundo Rachel Biderman, Diretora do World Resources Institute (WRI) no Brasil, “o momento é crucial, e a hora é de agir conjuntamente para limitar o aumento médio da temperatura global a 1,5 graus, como foi acordado na COP-21, em Dezembro do ano passado”. Ela comentou que é hora de unir e agir: “Não é mais possível ter embates entre ambientalistas e fazendeiros. Não temos mais tempo para ficar nas polarizações, é preciso colocar em prática as inovações”. O WRI faz parte da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, iniciativa composta por 150 entidades que se reúne semanalmente com o objetivo de gerar medidas concretas para atingir a meta proposta pela COP-21. “O nosso objetivo é levar a humanidade com saúde para o próximo milênio”, declarou. De acordo com Rachel, o Brasil pode contribuir com a melhoria do uso do solo, principalmente com o reflorestamento. Até 2030, será necessário reflorestar 350 milhões de hectares no mundo. “Embora plantar florestas não seja barato, é dessa forma que o Brasil pode e precisa contribuir. Precisamos de plantadores de árvores”, destacou. Recuperar as áreas degradadas permite o aumento da produtividade do rebanho e reduz a pressão sobre novos desmatamentos. O financiamento do replantio de florestas, segundo Rachel Biderman, se dará pelo agronegócio. “Estão sendo feitos estudos sobre como diminuir os custos da restauração. Uma das maneiras mais baratas é a regeneração natural, ou seja, cerca-se a área e não se desmata mais. Dessa forma, só há o custo da cerca”, explicou.
O setor agrícola brasileiro desempenha um papel importante na redução das emissões de carbono na atmosfera e, consequentemente, pode contribuir para conter as mudanças climáticas. As tecnologias para isso já existem: basta agora o esforço de colocá-las em prática. É o que mostraram os palestrantes no painel “Agricultura na Era das Mudanças Climáticas”.
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