Revista ECO•21

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Edição 244
O papel fundamental da mulher na proteção ambiental
Rachel Bidermann
Presidente do WRI (World Resources Institute Brasil) e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.
 
A população feminina é a mais afetada pelos desastres causados pelas mudanças climáticas em todo o mundo. No entanto, também pode ser um importante agente de transformação. Dados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) mostram que as mulheres compõem 72% do total de pessoas que estão em condições extremas de pobreza e também das mais vulneráveis a eventos climáticos extremos, como secas, inundações e furacões, por exemplo.
Além das mulheres, outra questão que está em risco à medida que a temperatura do Planeta aumenta e o clima sofre alterações é a disponibilidade e acesso aos alimentos. Nos países em desenvolvimento, entre 45 e 80% do trabalho agrícola é realizado pelo sexo feminino.
Em muitas regiões da África esse número sobe para 90%, de acordo com dados da ONU Mulheres, a Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento Feminino. Nesse contexto, as regiões com maior caráter agrícola experimentam uma insegurança crescente, assim como os produtores que atuam nelas.
No entanto, a solução para reduzir os efeitos das mudanças climáticas pode estar justamente na mão delas – as mulheres. Um artigo publicado em Novembro de 2016 pela Aliança Global de Gênero e Clima mostra que, especialmente na América Latina, as mulheres têm um importante papel na conservação da agro biodiversidade e tendem a optar por pequenas hortas com maior variedade de plantas e menor impacto no meio ambiente.
Isso acontece porque elas também são responsáveis por preparar os alimentos que produzem e, com isso, equilibram a qualidade e a quantidade de legumes e verduras que sua família produz e consome. Portanto, lutar pela igualdade de oportunidade e inclusão, é um assunto que não se resume à discussão de gênero, mas sim de qualidade de vida e desenvolvimento de toda a sociedade.
Na América Latina as taxas de igualdade entre homens e mulheres são um pouco melhores em comparação a outras regiões, mas a disparidade ainda é grande. De acordo com publicação da Aliança Global de Gênero e Clima, enquanto na América do Sul e Central cerca de 25% da terra é de propriedade feminina, na Ásia o número cai para 13% e na África 15%. A população brasileira tem 51,4% de mulheres, mas nas eleições de 2016 somente 12% dos candidatos a cargos para prefeituras eram mulheres, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral.
Assim como no resto do mundo, as mulheres exercem no Brasil um importante papel tanto no enfrentamento de problemas ambientais – a exemplo da mudança climática – quanto no desenvolvimento de ações que contribuam para a conservação da natureza e, consequentemente, para a qualidade da vida humana. Embora a equidade de gênero ainda seja um desafio na ciência brasileira, o País tem excelentes exemplos de lideranças femininas que protagonizam avanços importantes em relação à proteção ambiental.







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