Revista ECO•21

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Edição 245
ESA ajuda no transporte marítimo mais limpo
Franco Bonacina
Jornalista. Diretor de Publicações da ESA
 

Com cerca de 90% do comércio mundial realizado por barcos, garantir que um navio opte pela rota mais rápida tem claros benefícios econômicos. Ao reunir as medições de diferentes satélites, a ESA (Agência Espacial Europeia) está fornecendo informações importantes sobre as correntes oceânicas, o que não só torna o transporte marítimo mais eficiente, como também contribui para reduzir as emissões de CO2.
As companhias marítimas preveem correntes oceânicas até uma profundidade de cerca de 15 metros para encaminhar os seus navios através de correntes favoráveis e evitar as que possam dificultar uma viagem.
Previsões confiáveis são essenciais para garantir que as mercadorias cheguem a tempo e que os navios usem o menor combustível possível. O problema é que as previsões nem sempre são precisas. A combinação de medições por satélite, como a altura e a temperatura da superfície do mar, os ventos de superfície e a gravidade, juntamente com as medições realizadas in situ, podem produzir uma visão única da circulação da superfície oceânica.
O Projeto Globcurrent da Agência Espacial Europeia (ESA) reuniu medições para construir uma imagem das correntes diárias da superfície oceânica global, durante os últimos 24 anos. As empresas de transporte marítimo podem utilizar estas informações para compreender as características de circulação geral de regiões específicas. Com base no Globcurrent, um produto quase em tempo real, permite escolher a previsão mais confiável para um determinado tempo e local.
Os cientistas oceânicos, portanto, se uniram ao CGM-CMA, um grupo mundial de navegação, para otimizar o roteamento, utilizando dados do Globcurrent. Fabrice Collard, do Laboratório de Dados Oceânicos, disse: “A falta de confiança nos modelos de circulação oceânica dificultou o roteamento dos navios. Hoje, o Globcurrent pode ajudar a avaliar quais os produtos de previsão são os mais confiáveis para uma determinada área local. Isto, por sua vez, ajuda as companhias de navegação a escolherem uma rota específica que faça uso de correntes favoráveis”.
Patrice Bara, do CMA-CGM, comentou: “Reduzir o consumo de combustível dos navios que transportam contêineres é um desafio importante, especialmente quando se tenta reduzir as emissões que contribuem para o aquecimento global. Com base na nossa experiência com a rota Europa-Ásia, usando produtos de previsão oceânica já existentes nos permite uma economia de custos de 0,4%. No entanto, o Globcurrent pode nos ajudar a economizar até 1,2% no consumo de combustível. É extremamente importante para nós avaliar a confiabilidade das previsões dos modelos contra os produtos do Globcurrent em tempo quase real e atingir o nosso primeiro objetivo de reduzir as emissões de dióxido de carbono em 180 mil toneladas por ano.”
Craig Donlon, cientista oceânico da ESA, acrescentou: “a importância de correntes de superfície do oceano não pode ser exagerada para aqueles que trabalham nos mares. Ajudar a indústria europeia a aperfeiçoar as suas operações de roteamento de navios com o Globcurrent traz, não apenas uma economia financeira, mas também o potencial para reduzir as emissões de Gases de Efeito Estufa. Agora que o Projeto Globcurrent foi demonstrado, a geração operacional de produtos será transferida para o Serviço de Monitorização Ambiental Marinho da Copernicus, durante os próximos meses. A ESA continuará a tarefa fundamental de pesquisa científica e desenvolvimento, para manter e evoluir o novo sistema e tirar pleno proveito dos satélites Copernicus Sentinel-1, Sentinel-2 e Sentinel-3 e do futuro Sentinel-6.”







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