Revista ECO•21

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Edição 246
Para cumprir os ODS, América Latina deve descarbonizar
Leo Heileman
Diretor Regional da ONU Meio Ambiente
 

Combater a poluição do meio ambiente e descarbonizar a economia devem ser prioridades da América Latina e do Caribe para que países consigam cumprir a Agenda 2030 da ONU. A conclusão é da ONU Meio Ambiente que, durante o primeiro Fórum dos Países da América Latina e do Caribe sobre Desenvolvimento Sustentável, lançou um apelo (28 do mês passado, Abril) por mais esforços contra a contaminação do ar, das águas e dos solos. Um em cada quatro cursos fluviais da região está severamente contaminado principalmente por esgoto e pela produção agrícola, industrial e de exportação.
Em mensagem divulgada por ocasião desse primeiro Fórum dos Países da América Latina e do Caribe sobre Desenvolvimento Sustentável, a ONU Meio Ambiente alertou que 100 milhões de habitantes da região vivem em áreas vulneráveis à poluição da atmosfera. Além disso, 3 milhões de quilômetros quadrados de terra foram afetados por degradação antropogênica, ou seja, causada pelo homem.
Lembrando que o consumo de combustíveis fósseis está por trás das mudanças climáticas, é fundamental atuar no que se pode descrever como a “descarbonização da economia”. Isso significa reduzir a zero as emissões de dióxido de carbono geradas pela produção de energia, pelo uso de meios de transporte, pela indústria e pela exploração dos solos.
A contaminação da água, do ar e do solo tem implicações graves para a saúde pública e é, em grande parte, uma consequência de nossos padrões de desenvolvimento. O problema da poluição será tema central da terceira sessão da Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Evento acontece em Dezembro em Nairóbi, no Quênia.
Igualmente, é necessário insistir na necessidade de desvincular o uso dos recursos naturais do crescimento econômico. Segundo dados da agência da ONU Meio Ambiente, o aumento do consumo nas últimas quatro décadas levou à triplicação da quantidade de matérias-primas extraídas da Terra. Se a tendência atual se mantiver, o consumo de matérias-primas do Planeta chegará a 180 bilhões de toneladas por ano em 2050. É bom enfatizar, também, que é essencial enfrentar desafios ambientais para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
Outro tema abordado no primeiro Fórum dos Países da América Latina e do Caribe sobre Desenvolvimento Sustentável, é o da gestão do lixo, esgoto e outros resíduos. Mais de 50 por cento dos resíduos coletados nos países de baixa renda são despejados em terrenos inseguros que não são monitorados. Na América Latina e no Caribe, a geração de resíduos a nível municipal é estimada em 160 milhões de toneladas por ano – volume equivalente a 12 por cento do total global. A ONU Meio Ambiente prevê que até 2025 essa quantidade dobre.
Os resíduos sólidos também afetam rios e mares da região num ritmo sem precedentes. Depois do Mediterrâneo, o mar do Caribe é considerado o mais contaminado por plásticos em todo o mundo.







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