Revista ECO•21

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Edição 246
Agir contra a mudança do clima estimula o crescimento
Carol J. Guthrie
Jornalista da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico
 
De acordo com um novo Relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) preparado pela presidência alemã do G20, integrar à atual política econômica medidas que atuem contra as mudanças climáticas pode ter um impacto positivo sobre o crescimento econômico de médio e longo prazo.
Intitulado “Investir no Clima, Investir no Crescimento” (Investing in Climate, Investing in Growth), o Relatório demonstra que aproximar as ações em favor do crescimento daquelas que se ocupam do clima, em vez de tratá-las separadamente, poderia aumentar o PIB dos países do G20 entre 1% até 2021 e 2,8% até 2050. Se forem levados em conta os benefícios econômicos da eliminação de certos efeitos das mudanças climáticas, tais como os danos devido a inundações e tempestades costeiras, o aumento líquido do Produto Interno Bruto (PIB) em 2050 chegaria perto dos 5%.
O Relatório diz que os países do G20, que representam 85% do PIB mundial e 80% das emissões de CO2, deveriam adotar uma série de medidas favoráveis à economia e ao meio ambiente no quadro de suas estratégias de um crescimento inclusivo e do desenvolvimento. Isto envolve a combinação de medidas climáticas tais como a precificação do carbono além de medidas econômicas de apoio para gerar um crescimento inclusivo centrado no investimento de infraestruturas de baixas emissões e resilientes em relação ao clima.
“Longe de ser um obstáculo, a integração da ação climática a uma política voltada ao crescimento pode ter um efeito econômico positivo. Não há desculpa econômica que justifique não agir contra as mudanças climáticas. O problema é tão urgente que nós devemos passar para a ação imediatamente”, disse Angel Gurría, Secretário-Geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, durante a apresentação do relatório no encontro “Diálogo de Petersberg sobre o Clima”, realizado em Berlim.
Os investimentos em infraestrutura a serem realizados durante os próximos 10 a 15 anos serão cruciais para alcançar o objetivo do Acordo de Paris concluído em 2015; isto é, estabilizar as mudanças climáticas. Por isso, retardar a ação acabará custando mais caro. O Relatório mostra que atuar depois de 2025, e não agora, resultará numa perda do PIB nas economias do G20 de 2% em média ao final de dez anos.
Adiar as ações imporá a adoção, apressadamente, de medidas climáticas mais duras, o que poderia resultar em perturbações econômicas e ambientais mais profundas prejudicando a viabilidade econômica de um número crescente de ativos relacionados a combustíveis fósseis.
A pedra angular do crescimento econômico, a infraestrutura, poderá sofrer um desinvestimento crônico na maioria dos países do G20.
Conter o aumento da temperatura global abaixo dos 2°C, como propõe o Acordo de Paris, exigirá investimentos nas infraestruturas de US$ 6.900 bilhões por ano entre hoje e 2030, isso é, apenas 10% a mais do que um crescimento intensivo de alto carbono. Além disso, as infraestruturas respeitosas do clima são menos “energívoras” e permitiriam uma economia anual de combustíveis fósseis US$ 1.700 bilhões em total, o que compensaria de longe o custo adicional.
Mesmo em países onde a transição para uma economia de baixo carbono será problemática do ponto de vista econômico, entre exportadores de combustíveis fósseis, por exemplo, é possível, com o lançamento de uma série de ações adequadas, garantir que o crescimento de baixo carbono compense os impactos sobre a economia e o emprego resultantes da implementação das medidas de mitigação.
Recomendações do Relatório aos países do G20:
• Garantir a integração dos objetivos climáticos nas reformas em favor do crescimento, em particular, garantir uma melhor alocação de recursos, maiores investimentos e reformas estruturais compatíveis com a transição para baixas emissões de carbono.
• Reforçar as políticas de mitigação das mudanças climáticas, especialmente na taxação do carbono, reforma dos subsídios aos combustíveis fósseis, regulamentos jurídicos, pesquisa e desenvolvimento e ajuda aos mercados públicos para contribuir no estímulo à inovação do baixo carbono.
• Intensificar os esforços mobilizando investimentos privados nas infraestruturas de baixas emissões e resilientes ao clima mediante iniciativas para esverdear o sistema financeiro.
• Envolver as autoridades locais, empregadores e trabalhadores na transição das atividades e das comunidades em risco, a fim de que seja justo para os operários e que a implementação das estratégias centradas no crescimento e no clima sejam equitativas.







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