Revista ECO•21

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Edição 246
Campanha alerta sobre os impactos da destruição do Cerrado
Bianca Pyl
Jornalista
 
Notícias sobre racionamento de água já foram manchetes em alguns Estados do Brasil, como São Paulo, Rio de Janeiro e agora Brasília. Diferentes estudos da Universidade Federal de Goiás, da Universidade de Brasília, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul e da Brown University (publicada na revista científica Global Change Biology em 2016) apontam que o desmatamento no Cerrado é uma das causas para a crise. Isso porque o Bioma é considerado o berço das águas; é no Cerrado onde estão localizados os três grandes aquíferos que abastecem boa parte do país: Guarani, Urucuia e Bambuí.
Alguns Estados já têm tido racionamento de água e especialistas afirmam que o desmatamento do Cerrado é uma das causas do problema. No dia 22 de Março é comemorado o Dia Mundial da Água, e na área dos recursos hídricos, o Cerrado é fundamental para o Brasil continuar tendo água.
O Cerrado ocupa um quarto do território nacional e está localizado no coração do Brasil, abrangendo 13 Estados. Apesar de sua importância para o equilíbrio ambiental, o Cerrado tem sido destruído nas últimas décadas para a expansão do agronegócio e grandes empreendimentos e mais de 50% da sua vegetação já foi desmatada.
A legislação brasileira não garante plena proteção ao Cerrado. Apenas 11% do Cerrado é coberto por Reservas ou Unidades de Conservação, comparados com quase 50% da Amazônia. Enquanto um proprietário de terras é obrigado a proteger 80% da floresta se sua fazenda estiver na Amazônia, no Cerrado essa porcentagem cai para 35%. Em outras palavras, o desmatamento permitido, legal, é muito mais comum.
Com o objetivo de alertar a sociedade para esse e outros impactos, 43 organizações e movimentos sociais se uniram para lançar a Campanha Nacional em Defesa do Cerrado. A campanha busca valorizar a biodiversidade e as culturas dos povos e comunidades do Cerrado, que lutam pela sua preservação. A água é o mote atual da Campanha “Sem Cerrado, sem água, sem vida” para reforçar o papel central do Cerrado no abastecimento de água do país.
A Campanha prevê ações ao longo dos próximos dois anos, e, além de dar visibilidade ao Bioma, busca promover a visibilidade dos povos e comunidades tradicionais que vivem nas regiões de Cerrado, já que eles convivem historicamente de forma harmônica com o meio ambiente. As organizações envolvidas buscam também trazer para a esfera política o debate sobre a elevação do status do Cerrado para Patrimônio Nacional e exigir um acordo político para estancar o desmatamento.

Organizações promotoras da Campanha

Associação União das Aldeias Apinajés/PEMPXÀ – ActionAid Brasil – CNBB/Pastorais Sociais – Agência 10envolvimento – APA/TO – ANQ – AATR/BA – ABRA – APIB – CPT – CONTAG – CIMI – CUT/GO – CPP – Cáritas Brasileira – CEBI – CESE – CEDAC – Coletivo de Fundos e Fechos de Pasto do Oeste da Bahia – Comissão da Verdade sobre a Escravidão Negra do DF – CONAQ – FASE – FBSSAN – FETAET - FETAEMA – CONTRAF-BRASIL/FETRAF – Gwatá/UEG – IBRACE – ISPN – MJD – MIQCB – MPP – MMC – MPA – MST – MAB – MOPIC – SPM – Rede Cerrado – Redessan – Rede Social de Direitos Humanos – Rede de Agroecologia do Maranhão – TIJUPA – Via Campesina – FIAN Brasil.







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