Revista ECO•21

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Edição 247
Sobre corte de verba da Noruega para Amazônia
Carlos Minc
Ex-Ministro do Meio Ambiente e Deputado Estadual - RJ (sem partido) Presidente da Comissão pelo Cumprimento das Leis da ALERJ
 
Criador do Fundo da Amazônia, ex-Ministro do Meio Ambiente Carlos Minc critica retrocesso ambiental do Governo Temer, que levou Noruega a cortar 50% de doação para floresta.

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Durante a recente visita do Presidente Michel Temer a Noruega, o governo desse país anunciou um corte de 50% nos recursos enviados ao Fundo da Amazônia, por causa do aumento do desmatamento e do retrocesso da política ambiental do Brasil. Em 2008, quando fui Ministro do Meio Ambiente, criamos o Fundo da Amazônia, e com o BNDES, alocamos inicialmente 1 bilhão de dólares de apoio, doado pela Noruega.
Reduzimos o desmatamento da Amazônia à metade: de 13 mil quilômetros quadrados, em 2007/08, para 6,5 mil quilômetros quadrados, em 2009/2010. O Brasil foi o primeiro país em desenvolvimento a adotar metas de redução das emissões de Gases de Efeito Estufa; por Lei. Com esse recurso da Noruega, diversos municípios e cooperativas extrativistas se estruturaram. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) melhoraram a cobertura por satélite, houve apoio a projetos de madeira sustentável, comercialização de produtos extrativistas e estruturação de Secretarias Municipais de Meio Ambiente.
Nós conseguimos, efetivamente, avançar em alguns campos. Agora, por pressão da Bancada Ruralista, o IBAMA está de mãos atadas, projetos que tramitam no Congresso querem reduzir as áreas ambientais e as terras indígenas. O desmatamento da Amazônia aumentou em 30%, e, agora, recebemos essa triste notícia! Por causa desse retrocesso, a Noruega, como principal doadora, contribuindo com 80% do Fundo da Amazônia, anuncia que irá reduzir pela metade esse recurso que tanto nos ajudou para avançarmos contra o desmatamento.
O Governo está quebrado, os poucos recursos que tínhamos para ações de prevenção, monitoramento, combate ao desmatamento e a realização do Cadastro Ambiental Rural (CAR) serão cortados pela metade, por causa dessa política predatória, pressionada pela Bancada Ruralista. Como Presidente da Frente Parlamentar Ambientalista da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, vamos mobilizar as Frentes Ambientalistas de todo o Brasil para tentar reverter esse desastre! Temos que parar esse retrocesso.
O Governo Temer é um desastre, e na área ambiental é mais ainda!
A consequência será terrível!







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