Revista ECO•21

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Edição 269
Os animais podem prever o tempo?
Ragnvald Moberg
Jornalista da StormGeo
 
Os animais podem reagir às mudanças do clima mais rapidamente do que os humanos, mas não devemos contar com o comportamento deles para determinar quanta neve cairá na próxima semana ou quão severo será um furacão.
Agricultores que recentemente sentiram o clima mais frio numa geração, manifestaram que sabiam que o clima extremo estava chegando antes de ser constatado oficialmente. Essa previsão não se deveu à meteorologia, mas ao modo como seus animais estavam se comportando.
A pecuarista Deanna Brennecke comentou que sabia que o frio estava chegando dias antes por causa do comportamento do seu gado. Eles estavam comendo mais alimento do que o normal, ganhando peso para ajudar a manter o calor antes da temperatura cair. “Eles íam para a porteira antes do normal, comiam se enchendo totalmente e nós apenas sabíamos”.
Evidências surgidas em anedotas como essa sugerem que os animais podem, de certa forma, prever o clima. No entanto, nunca foi comprovado cientificamente. O que sabemos é que os animais reagem aos sinais ambientais que surgem quando o clima muda. Por exemplo, eventos climáticos extremos, como furacões, causam grandes reduções na pressão do ar e da água. Muitos animais podem sentir rapidamente essas mudanças e, muitas vezes, se comportarão de maneira estranha, fugirão ou se esconderão por segurança.
Se sabe que os animais têm um comportamento incomum antes de uma tempestade. Isso pode ser devido ao seu apurado sentido de olfato e audição, junto com instintos sensíveis. Os cães também podem sentir a mudança na pressão barométrica que acontecem com as tempestades, levando-os a latir, abraçar ou se esconder numa tentativa de procurar abrigo.
Pesquisadores observaram esse tipo de comportamento entre um grupo de tubarões enquanto monitoravam os movimentos desses animais durante eventos climáticos extremos, incluindo a tempestade tropical Gabrielle, em 2007. Após a pressão barométrica cair apenas alguns milibares, o que correspondeu a uma queda na pressão hidrostática, vários tubarões nadaram para águas mais profundas, onde havia mais proteção contra a tempestade.
Aves e abelhas também parecem ser capazes de sentir essa queda na pressão barométrica e, instintivamente, procuram a cobertura de seus ninhos ou colmeias. As aves também usam essa sensação de pressão do ar para determinar quando é seguro migrar.
Mesmo os seres humanos podem ter reações a essas mudanças de pressão o que explica porque algumas pessoas afirmam que podem prever uma tempestade devido à dor de cabeça que sentem no dia anterior à chegada da tempestade.
Esta é provavelmente uma reação a uma diminuição na pressão atmosférica, que cria uma diferença entre a pressão no ar externo e o ar em seus seios faciais, resultando em dor.
A relação entre o chilro de um grilo e a temperatura é talvez o exemplo mais fascinante de como o reino animal pode estar sintonizado com as mudanças ambientais. Essa relação é conhecida como Lei de Dolbear, batizada assim em homenagem ao físico Amos Dolbear, que em 1897 publicou um artigo sobre o assunto chamado “The Cricket as Thermometer” .
A relação entre temperatura e chilrear é causada por um aumento no metabolismo do sangue frio do grilo que ocorre quando a temperatura aumenta. Um metabolismo mais alto fornece mais energia para as contrações musculares ou, neste caso, o chilrear. Dolbear passou horas observando os grilos nas árvores com neve para determinar essa Lei, que se acredita ser exata.
Embora não usemos um grilo como um termômetro, a crina dos cavalos já foi usada para medir a umidade. Antes do advento dos modernos higrômetros (instrumentos para medir o grau de umidade do ar) baseados em sensores eletrônicos, que medem a umidade, foram usados higrômetros de cabelo. Esta engenhoca consistia em crinas de cavalo colocadas entre dois suportes. Como os cabelos se esticavam e contraíam com a umidade qualquer mudança no comprimento era medida como umidade relativa.
Um dos exemplos mais conhecidos e amplamente celebrados de animais que predizem o clima é o Dia da Marmota. Baseado numa antiga superstição levada para a Pensilvânia por colonos de língua alemã em meados do Século 19, o Dia se baseia numa marmota mítica específica: a Phil de Punxsutawney. Se ela via sua sombra e voltava para seu buraco significava mais seis semanas de inverno; se não via sua sombra, a previsão era da chegada precoce da primavera.
O feriado continua a ser celebrado em todo o Canadá e nos Estados Unidos, apesar de que numerosos estudos refutam a precisão. Na verdade, foram os meteorologistas que previram corretamente que as nuvens que chegavam bloqueariam a sombra da marmota, confundindo-a com o pensamento de que a primavera estava próxima; hoje sabemos que esse não é o caso.
Os animais podem reagir a mudanças do clima mais rapidamente do que os humanos, mas não devemos contar com o comportamento deles para determinar quanta neve cairá na próxima semana ou quão severo será um furacão. Felizmente para todos, essa informação ainda está em mãos dos especialistas climáticos que são os que realmente sabem determinar as mudanças do tempo.
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